Poder do PCC no transporte interliga 12 empresas de ônibus do sistema paulistano

Operação investiga possível estrutura do PCC no transporte de São Paulo envolvendo 12 das 22 empresas de ônibus, Milton Leite e ex-presidente da SPTrans.
Imagem ilustrativa de ônibus do transporte público de São Paulo em matéria sobre investigação do PCC no transporte
Imagem ilustrativa representa o sistema de ônibus de São Paulo, alvo de investigação sobre possível infiltração do PCC no transporte.(Imagem: Editorial).

A investigação sobre o PCC no transporte coletivo de São Paulo avançou nesta quinta-feira (17) sobre uma estrutura que, segundo o Ministério Público (MPSP) e a Polícia Civil, teria conectado empresas de ônibus, integrantes da facção e pessoas ligadas ao poder público. A nova fase da Operação Vectura Corrupta apura indícios envolvendo 12 das 22 empresas que operam o sistema paulistano e tem entre os alvos o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União Brasil) e um ex-presidente da SPTrans.

A dimensão das suspeitas amplia o alcance da apuração para além de concessionárias específicas. Segundo a investigação, as empresas seriam controladas direta ou indiretamente pela organização criminosa:

  • Transcap
  • Alfa Rodobus
  • Transwolff
  • A2 Transportes
  • Imperial Transportes
  • Move Bus
  • Pêssego Transportes
  • Allianz Transportes
  • Transunião
  • Qualibus Transportes
  • Norte Bus
  • Spencer Transportes

Como a investigação descreve o PCC no transporte de São Paulo

A Polícia Civil afirma ter identificado um sistema de intermediação entre empresários, advogados, políticos, pessoas próximas a agentes políticos e integrantes da facção. O principal investigado apontado nesta fase é José Daniel Satilite, conhecido como Alemão, que, segundo a polícia, integra o PCC e exerceria o papel de interlocutor entre esses diferentes grupos.

A apuração também alcançou Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo os investigadores, embora ele não apareça como interlocutor direto de Satilite, os dois teriam mantido encontros periódicos para tratar de interesses relacionados às empresas de transporte.

As reuniões teriam ocorrido especialmente após a Operação Fim da Linha, deflagrada pelo MP em 2024. A presença de um ex-dirigente da empresa municipal responsável pela gestão do transporte acrescenta à investigação um possível elo entre os interesses atribuídos à facção e pessoas que ocuparam funções no sistema público.

O que a investigação atribui a Milton Leite

Milton Leite também é alvo da operação e teve a prisão temporária decretada por 30 dias. Ele não foi localizado inicialmente em sua residência, mas informou às autoridades que estava em viagem e que se apresentaria em até 24 horas.

“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, declarou o ex-vereador.

A decisão judicial cita Leite como possível responsável pela operação de algumas das empresas que, segundo a investigação, seriam controladas pelo PCC. O material reunido pelos investigadores também sustenta que determinadas decisões estratégicas relacionadas às companhias dependeriam de seu conhecimento ou aprovação política.

Leite nega as acusações. O peso político do alvo também ajuda a dimensionar esta fase da operação: ele permaneceu 27 anos na Câmara Municipal de São Paulo e presidiu a Casa em quatro oportunidades. Atualmente, preside o União Brasil na capital paulista e o diretório estadual da Federação União Progressista.

Suspeitas sobre empresas de ônibus já provocaram intervenções

As suspeitas envolvendo crime organizado e empresas do transporte paulistano antecedem a operação desta quinta-feira. Em 9 de abril de 2024, a Prefeitura de São Paulo determinou intervenção na Transwolff e na UPBus, após investigações sobre possíveis vínculos das concessionárias com organizações criminosas.

O processo teve uma consequência operacional no sistema. Em fevereiro de 2025, a Prefeitura anunciou a substituição das duas concessionárias. A Transwolff operava 132 linhas e seria substituída pela Sancetur, enquanto a Alfa RodoBus assumiria o lote então operado pela UPBus.

A Operação Vectura Corrupta agora investiga uma estrutura mais ampla e as relações atribuídas pelos investigadores a empresas, operadores e seus interlocutores. As conclusões apresentadas nesta fase permanecem no campo da investigação e ainda dependem do processo judicial, que tramita sob segredo de Justiça.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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