Trump chama desaceleração da IA de ‘conspiração doentia’ e aponta China

Trump chama pedidos por desaceleração da IA de “conspiração doentia”, cita vantagem para a China e quer data center do Google nos Estados Unidos.
Donald Trump fala com repórteres em Maryland em meio ao debate sobre desaceleração da IA
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres em Maryland, em 9 de setembro de 2026.(Imagem: Brendan Smialowski/AFP).

Donald Trump voltou a atacar nesta segunda-feira (14) os pedidos de líderes do setor de tecnologia por uma desaceleração da IA. O presidente dos Estados Unidos classificou o movimento como uma “conspiração doentia” e afirmou que reduzir o ritmo de desenvolvimento da tecnologia beneficiaria a China.

“Há uma conspiração DOENTIA em curso contra a IA e os Data Centers, e a única que fica feliz com isso é a China”, escreveu Trump no Truth Social.

Em outra publicação, o presidente rejeitou previsões de que sistemas avançados possam representar riscos extremos à humanidade. Trump classificou esses cenários como uma “farsa” e defendeu que os Estados Unidos preservem sua posição na corrida tecnológica.

Desaceleração da IA ganha apoio de líderes do setor

A reação ocorre após Dario Amodei, CEO da Anthropic, defender no sábado (12) que a indústria reduza o ritmo de avanço das capacidades dos modelos de inteligência artificial para que medidas de segurança tenham tempo de acompanhar o desenvolvimento tecnológico.

A proposta não prevê interromper o treinamento ou o progresso da tecnologia. Amodei defende, entre outras medidas, mais tempo para salvaguardas e avaliações independentes dos modelos. A discussão ganhou peso porque executivos como Sam Altman, da OpenAI, Elon Musk e Demis Hassabis, do Google DeepMind, também manifestaram apoio à redução do ritmo dos sistemas mais avançados.

Trump reagiu diretamente a Amodei. O presidente afirmou que seu governo já dispõe de instrumentos regulatórios e criminais para impedir que empresas de inteligência artificial pratiquem ações prejudiciais.

No domingo (13), ele já havia associado sua oposição à desaceleração da IA à competição internacional. “Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo”, declarou a jornalistas.

Trump também quer data center do Google nos EUA

A disputa ultrapassou o desenvolvimento dos próprios modelos. Trump afirmou que pretende reverter a decisão do Google de construir um data center na Finlândia e quer que o empreendimento seja feito nos Estados Unidos.

A declaração ganha dimensão porque o Google anunciou em 9 de setembro planos de investir pelo menos € 13 bilhões em infraestrutura digital na Finlândia em 2027 e 2028. O pacote abrange data centers e estruturas de apoio em quatro localidades e foi classificado pela companhia como seu maior investimento individual na Europa.

Segundo estimativas divulgadas pelo Google, a construção deverá apoiar mais de 37 mil empregos no país durante 2027 e 2028. Uma vez em operação, as novas instalações deverão apoiar 7 mil empregos anualmente. Os números são projeções da companhia, e não resultados já realizados.

O embate ocorre enquanto líderes das maiores empresas americanas de IA discutem como ganhar tempo para ampliar salvaguardas sem interromper o desenvolvimento tecnológico. Trump rejeita essa estratégia e coloca a competitividade dos Estados Unidos no centro de sua posição. Por enquanto, também não há confirmação de que o Google tenha aceitado levar o empreendimento finlandês para território americano.

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Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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