A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (17) a 10ª fase da Operação Overclean, com 24 mandados de busca e apreensão para investigar suspeitas de irregularidades em contratações públicas na área de Educação de Belo Horizonte. Entretanto, uma das diligências solicitadas pelos investigadores não foi autorizada. O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou uma busca contra ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia.
A decisão de Nunes Marques foi tomada apesar de parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) à medida solicitada pela PF, segundo a CNN Brasil. A publicação afirma ainda que ACM Neto é apontado pela Polícia Federal como principal investigado nesse núcleo da apuração. A decisão que negou a busca permanece sob sigilo.
ACM Neto nega envolvimento e fala em interferência eleitoral
Após a divulgação do pedido de busca, ACM Neto se manifestou nesta quinta-feira e negou qualquer envolvimento com os fatos investigados. Em nota, o candidato afirmou que a exposição das informações seria uma tentativa de interferir na disputa pelo governo da Bahia por meio de “vazamentos seletivos”.
“Fica cada vez mais clara a tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas”, afirmou ACM Neto em trecho da nota.
A nova fase investiga contratações realizadas entre 2024 e 2025. Segundo a Polícia Federal, ao menos três procedimentos analisados resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões. Outros processos de contratação também são objeto da investigação.
A PF apura indícios de direcionamento de procedimentos destinados ao fornecimento de serviços e materiais didáticos. Além disso, investiga a possível atuação de uma organização criminosa nessas contratações. De acordo com a corporação, os fatos apurados podem caracterizar, em tese, crimes contra a Administração Pública, fraudes em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a CNN Brasil, a investigação sustenta que ACM Neto teria indicado Bruno Barral, então secretário de Educação de Salvador, para assumir a mesma pasta em Belo Horizonte. Ainda, a reportagem afirma que a PF investiga a relação dessa indicação com contratos firmados com empresas ligadas ao grupo sob apuração. As afirmações fazem parte da linha investigativa e não representam conclusão sobre eventual responsabilidade criminal.
PF cumpre buscas em seis Estados
Os 24 mandados de busca e apreensão são cumpridos em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Bruno Barral, Marcos Moura e Alex Parente estão entre os alvos das diligências realizadas nesta quinta-feira, segundo a CNN Brasil.
A operação também resultou na apreensão de dinheiro em espécie e celulares, conforme a mesma publicação. Em seu comunicado oficial sobre a 10ª fase da Operação Overclean, a Polícia Federal não divulgou os nomes dos alvos. Além disso, informou que outros processos de contratação, além dos três que resultaram em contratos acima de R$ 80 milhões, permanecem sob investigação.
No caso de ACM Neto, a distinção entre investigação e diligência continua central para compreender o alcance da decisão judicial: a PF pediu autorização para realizar uma busca contra o candidato, a PGR foi favorável à medida, mas Nunes Marques não a autorizou. ACM Neto nega envolvimento e atribui a divulgação do caso a uma tentativa de interferência eleitoral. A Operação Overclean prossegue na apuração das contratações realizadas na área de Educação de Belo Horizonte.