A Polícia Federal entregou nesta segunda-feira (14) cópias dos dados extraídos do celular de Vorcaro aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a entrega, os ministros passam a ter acesso ao conteúdo integral antes do julgamento de terça-feira (15), enquanto, segundo a PF, o material original permanece sob cadeia de custódia da corporação.
Segundo a Polícia Federal, as cópias são idênticas à extração realizada do aparelho. O original permanece nas dependências da instituição, com lacres íntegros e mecanismos de verificação da integridade digital.
Celular de Vorcaro chega aos gabinetes após disputa pelo acesso
A entrega ocorre depois de ministros do STF cobrarem acesso irrestrito ao acervo digital de Daniel Vorcaro. Nos últimos dias, Zanin, Moraes e Gilmar acionaram o presidente da Corte, Edson Fachin, diante da proximidade do julgamento.
Zanin argumentou que o colegiado precisava conhecer o contexto completo dos dados para deliberar e destacou que a defesa de Vorcaro já havia obtido acesso ao conteúdo integral. Moraes também defendeu a liberação e afirmou que “não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento”.
Gilmar, por sua vez, pediu que Fachin requisitasse as mídias diretamente à PF caso o relator, André Mendonça, não disponibilizasse os arquivos. O ministro sustentou que o acesso era necessário para que o colegiado pudesse examinar as informações relevantes para o julgamento.
Mendonça havia afirmado que o material em seu poder correspondia a uma cópia de segurança criptografada e lacrada. Segundo o ministro, a mídia funcionava como contraprova em caso de extravio do original e não havia sido manuseada por ele.
Íntegra fica disponível antes da sessão do STF
O acesso ocorre na véspera da sessão extraordinária marcada para esta terça-feira (15), às 10h. Segundo o STF, o plenário foi convocado para apreciar a Petição 16.662, relatada por André Mendonça.
A disponibilização da íntegra muda uma condição existente durante a disputa dos últimos dias: os três gabinetes passam a dispor do conteúdo que haviam solicitado antes da sessão. A entrega, porém, não confirma as conclusões do relatório policial nem antecipa qualquer decisão do Supremo.
A diferença é relevante porque os pedidos apresentados pelos ministros tratavam das informações disponíveis para a análise colegiada. Com as cópias entregues, Zanin, Moraes e Gilmar passam a ter acesso à íntegra antes de o plenário se reunir.
O que permanece em aberto é a decisão do STF. A sessão extraordinária de 15 de setembro foi convocada para apreciar a Petição 16.662, processo já indicado à pauta pelo relator André Mendonça.