O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) é um dos alvos da terceira fase da Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (14). A investigação, iniciada para apurar irregularidades na destinação de emendas parlamentares, chegou agora a suspeitas de negociação de pagamentos sob a alegação de influência sobre decisões judiciais.
Segundo a PF, integrantes do grupo teriam negociado com terceiros o pagamento de “valores expressivos”, condicionado ao resultado de processos em andamento, a pretexto de influenciar decisões judiciais. A informação divulgada pela corporação não atribui individualmente essa negociação a Cezinha.
“Não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados”, informou a Polícia Federal em nota sobre a operação.
Há ainda um limite relevante para interpretar o alcance da investigação. “Não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados”, afirmou a Polícia Federal ao divulgar a operação.
Cezinha de Madureira está entre alvos de quatro buscas
Policiais federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e em São Paulo. A investigação apura possíveis práticas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A presença de Cezinha entre os alvos significa que o deputado está submetido às diligências desta fase. As informações públicas disponíveis nesta manhã, porém, não detalham qual conduta específica é atribuída a ele dentro da suposta negociação descrita pela PF.
A reportagem que revelou a operação informou ter procurado o parlamentar, mas não havia obtido resposta.
Cezinha intermediou encontro entre Mendonça e Vorcaro em 2025
Há um antecedente independente da operação atual envolvendo Cezinha e um integrante do Supremo. Em 14 de março de 2025, o deputado participou da articulação de um encontro entre o ministro André Mendonça e Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, em São Paulo. O próprio Mendonça posteriormente confirmou ter recebido o empresário.
Segundo manifestação do gabinete do ministro divulgada na ocasião, o encontro tratou de créditos de precatórios de interesse do Banco Master. Mendonça afirmou que se limitou a ouvir Vorcaro. A reunião ocorreu antes de o ministro assumir, em fevereiro de 2026, a relatoria do caso Master no STF.
Não há, nas informações divulgadas sobre a operação desta segunda-feira, demonstração de que aquele encontro faça parte das condutas investigadas nesta terceira fase. O episódio serve como contexto sobre uma interlocução anterior de Cezinha com um ministro do Supremo, mas não permite estabelecer vínculo entre essa reunião e a suspeita agora apurada.
A Operação Transparência começou em dezembro de 2025, inicialmente voltada a irregularidades na destinação de emendas parlamentares. O avanço da investigação levou à apuração sobre pagamentos que teriam sido negociados sob alegação de influência no resultado de processos.
Para Cezinha de Madureira, permanece sem resposta pública nesta manhã a questão central desta fase: qual conduta específica levou o deputado a figurar entre os alvos das buscas. Essa lacuna impede, por enquanto, atribuir pessoalmente a ele a negociação descrita pela Polícia Federal.