A Polícia Federal intimou Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique Vorcaro, nesta quinta-feira (17), para prestar depoimento em 30 de setembro no inquérito que investiga a atuação do grupo conhecido como “A Turma”. Daniel será ouvido às 14h e Henrique às 16h. As oitivas haviam sido adiadas a pedido das defesas e estão previstas entre os últimos atos antes da conclusão da investigação.
O depoimento de Henrique Vorcaro ocorre após mensagens reunidas pela investigação mencionarem R$ 400 mil por mês em conversas relacionadas à manutenção de “A Turma”. A PF investiga o grupo por suspeitas de monitoramento de pessoas, obtenção de informações sigilosas e ações de pressão.
Mensagens citam R$ 400 mil e discussão sobre valor maior
Em um dos diálogos reproduzidos em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Henrique conversa com Marilson Roseno, apontado pela PF como coordenador operacional de “A Turma”. Marilson cobra o “pagamento ajustado”, e Henrique responde que enviaria “400”, cifra interpretada pelos investigadores como referência a R$ 400 mil no pagamento discutido.
Na mesma conversa, Marilson responde que o ideal seria “800k”. A mensagem indica uma discussão sobre R$ 800 mil, mas os documentos consultados não comprovam que esse montante tenha sido efetivamente transferido. Por isso, a cifra não pode ser tratada como um pagamento realizado.
Os autos também descrevem uma estrutura mais ampla de pagamentos destinada a diferentes integrantes e núcleos relacionados às atividades investigadas. As cifras encontradas, porém, possuem bases e destinatários diferentes e não podem ser simplesmente somadas para estabelecer um custo total da estrutura.
PF relaciona cobranças financeiras a serviços investigados
Segundo a PF, as cobranças financeiras continuaram enquanto Henrique demandava atuação do núcleo. Em uma das conversas citadas nos autos, Marilson afirma estar “segurando uma manada de búfalo” ao cobrar o pagamento combinado. Henrique, em outro momento, teria afirmado que precisava da atuação do grupo.
Na interpretação dos investigadores, as mensagens relacionam pagamentos, manutenção da estrutura e demandas atribuídas ao grupo. Essa é a linha investigativa da PF e não representa conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal de Henrique.
A defesa contesta essa interpretação. Quando Henrique foi preso, os advogados Eugênio Pacelli e Frederico Horta afirmaram que os fatos considerados na decisão ainda precisavam ter demonstradas sua “licitude e do lastro de racionalidade econômica”. Também classificaram a prisão como “grave e desnecessária”.
Pai de Vorcaro tenta deixar prisão antes de depoimento
Henrique está preso preventivamente desde 14 de maio de 2026. Nesta semana, sua defesa pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que permita o andamento do processo para viabilizar a análise de pedidos relacionados à prisão, inclusive a possibilidade de conversão para domiciliar por razões de saúde.
Os advogados afirmam que a prisão já supera 90 dias sem nova revisão de seus fundamentos e apontam recurso ainda pendente de julgamento. A Segunda Turma do STF confirmou, por maioria, a prisão preventiva em junho.
A nova data coloca o depoimento e a situação prisional de Henrique em calendários paralelos. A PF avança para a conclusão do inquérito, enquanto o STF ainda tem pedidos da defesa relacionados à prisão para analisar. A oitiva de 30 de setembro não confirma as suspeitas nem antecipa eventual indiciamento, denúncia ou condenação.