A investigação da Polícia Federal sobre Jaques Wagner (PT-BA) chegou a uma proposta que poderia multiplicar o teto de proteção bancária oferecido pelo Fundo Garantidor de Créditos. A chamada “emenda Master” elevaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa física a cobertura do FGC, mas não foi apresentada pelo petista.
A autoria formal da Emenda 11 à PEC 65/2023 é do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O que a PF atribui a Wagner, então líder do governo no Senado, é o acompanhamento de uma pauta legislativa que interessava ao Banco Master.
Essa distinção é central: a investigação não transforma Wagner em autor da proposta nem significa que a ampliação da garantia tenha entrado em vigor.
Jaques Wagner e FGC se cruzam nos contatos investigados pela PF
Para sustentar a hipótese de acompanhamento, os investigadores destacam contatos entre Wagner e Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro. Um deles ocorreu justamente em 13 de agosto de 2024, data da apresentação da emenda.
Segundo o relatório, Lima telefonou para Wagner e os dois conversaram durante 9 minutos e 19 segundos. Depois, o empresário encaminhou ao senador o link da proposta. Em 27 de agosto, após um encontro presencial, Lima voltou a enviar o material ao parlamentar.
A PF interpreta esses registros, em conjunto com outras comunicações, como indícios de um “padrão de acompanhamento direto” por Wagner de pauta legislativa de interesse do Master.
O ponto econômico ajuda a explicar por que a emenda ganhou espaço na investigação. O texto elevaria o teto nominal citado de cobertura individual para quatro vezes o valor anterior, ao passar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa física. Trata-se de uma comparação matemática entre os dois valores da própria proposta, não de estimativa sobre quanto o FGC teria de desembolsar.
PF também investigou fluxo de informações sobre o Master
A análise policial não se restringe à emenda. De acordo com a PF, Lima enviava a Wagner informações e notícias relacionadas ao banco. Em março de 2025, ao falar sobre a operação de venda do Master ao BRB, o empresário escreveu ao senador que ele conhecia sua história e “faz parte disso!!”.
A corporação interpreta a mensagem e o conjunto dos contatos como elementos de uma relação que iria além do recebimento passivo de informações. Essa é, porém, uma conclusão indiciária dos investigadores, e não uma decisão judicial sobre responsabilidade do senador.
O relatório ainda apura supostas vantagens econômicas relacionadas ao parlamentar, entre elas uso gratuito de aeronaves, ingressos para shows, uma articulação envolvendo apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador e repasses de ao menos R$ 3,5 milhões à BN Financeira, empresa apontada na investigação como ligada à família de Wagner.
Esses elementos permanecem sob investigação. No eixo de Wagner e FGC, a questão ainda a ser esclarecida é qual foi exatamente a participação do senador no acompanhamento da emenda e se os contatos identificados pela PF correspondem a alguma atuação irregular, conclusão que depende do avanço da apuração.