Quebra do sigilo do Master: tudo o que se sabe, quem está envolvido e o que segue oculto

Abertura de 15 procedimentos expõe novas frentes do caso Master, nomes ligados às apurações e investigações que ainda permanecem sob sigilo.
Montagem sobre a quebra do sigilo do Banco Master reúne Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro, Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes.
Quebra do sigilo de procedimentos ligados ao Banco Master revelou novos documentos e frentes de investigação envolvendo diferentes personagens.(Imagem: Editorial).

quebra do sigilo do Master abriu 15 procedimentos no Supremo Tribunal Federal (STF) e trouxe novas informações sobre diferentes braços das investigações ligadas a Daniel Vorcaro. Os documentos expõem apurações sobre Flávio Bolsonaro, relações com servidores do Banco Central, contratos milionários e suspeitas de acesso a informações do Ministério Público Federal (MPF). Outras frentes continuam protegidas.

A decisão de retirar o sigilo da PET 15.556 e de outros 14 procedimentos relacionados foi tomada pelo relator André Mendonça após solicitação do presidente do STF, Edson Fachin. O pedido de Fachin ressalvou diligências cujo segredo fosse considerado imprescindível à continuidade das investigações.

A nova leva de documentos, portanto, permite montar um mapa mais amplo de quem aparece nas apurações e em qual condição, mas não representa a publicidade integral de todos os braços do caso Master.

Quebra do sigilo do Master revela investigação de Flávio

Entre as principais novidades está a confirmação de que Mendonça autorizou, em julho, uma investigação sobre Flávio Bolsonaro relacionada ao financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal pediu a apuração de possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e delitos correlatos. A Procuradoria-Geral da República concordou com a investigação. Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que houve captação privada para uma produção privada.

Daniel Vorcaro aparece no centro dessa frente por causa da investigação sobre o financiamento da produção e o caminho dos recursos. Embora a existência e o objeto da apuração tenham sido revelados por documentos agora públicos, a PET 16.369, específica de Dark Horse, permanece sob sigilo.

Banco Central ganha espaço nos documentos

Outro braço revelado envolve a relação de Vorcaro com servidores do Banco Central. Relatórios da PF descrevem elementos relacionados a Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, incluindo transferências financeiras, despesas de viagens internacionais e informações que poderiam ser de interesse do Master. As defesas contestam interpretações da investigação sobre essas relações e pagamentos.

Em uma frente relacionada à fiscalização do banco, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ex-presidente da instituição, Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização, e André Esteves, do BTG Pactual, foram chamados pela PF para prestar depoimentos como testemunhas. Essa condição não significa que sejam investigados.

Moraes e Viviane aparecem em outra frente

A documentação também trouxe detalhes do contrato entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes.

Registros da Receita reportados pela imprensa apontam R$ 80,2 milhões declarados pelo Master ao escritório em dois anos. Documentos divulgados também descrevem o escopo da contratação, que previa serviços jurídicos e de consultoria. O escritório afirma que os serviços foram prestados e que não atuou no STF em processos do banco.

Confira abaixo a íntegra do contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes:

Alexandre de Moraes aparece em outro conjunto de documentos depois da divulgação de mensagens enviadas por Vorcaro a um número identificado pela PF como pertencente ao ministro. Moraes nega irregularidades.

A Polícia Federal também investiga um núcleo denominado “A Turma”. Segundo a corporação, pessoas relacionadas ao grupo de Vorcaro teriam obtido acesso a informações sigilosas do MPF, inclusive sobre assuntos envolvendo Master e BRB. A apuração busca esclarecer como os acessos teriam ocorrido e se houve participação de agentes públicos.

Quem está envolvido e em qual condição

Os documentos colocam personagens diferentes em situações jurídicas distintas. Flávio Bolsonaro é alvo da investigação relacionada a Dark Horse, enquanto Vorcaro aparece no centro de diferentes frentes do caso Master. Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza aparecem nas apurações envolvendo servidores do Banco Central.

Galípolo, Campos Neto, Ailton de Aquino e André Esteves foram chamados como testemunhas na frente relacionada à fiscalização do Master. Viviane Barci de Moraes aparece por causa do contrato de seu escritório com o banco, enquanto Alexandre de Moraes é citado na documentação relacionada às mensagens atribuídas a Vorcaro.

Essa distinção é essencial: aparecer nos documentos, prestar depoimento como testemunha e ser formalmente investigado são situações diferentes.

O que ainda não veio a público

O principal exemplo é Dark Horse. O público passou a conhecer a existência da investigação contra Flávio e parte de seu objeto, mas não ganhou acesso integral aos autos específicos da PET 16.369. Outras frentes relacionadas ao universo investigativo do Master também permanecem protegidas.

A diferença já entrou na estratégia eleitoral. O PT pressiona pela publicidade das investigações relacionadas a Dark Horse. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, por sua vez, passou a cobrar de Fachin a aplicação da “mesma régua” ao inquérito das fake news. Essas ações comprovam uma disputa política pela publicidade dos processos, mas não demonstram que Fachin ou Mendonça tenham decidido sobre sigilos com finalidade eleitoral.

O próximo ponto de atenção é 15 de setembro, quando o plenário do STF tem sessão extraordinária prevista em meio à crise provocada pelos desdobramentos do caso. Até lá, a quebra do sigilo deixa uma consequência prática: documentos antes inacessíveis já permitem conhecer novos personagens e frentes da investigação, enquanto a extensão do que ainda poderá se tornar público dependerá de novas decisões sobre os autos protegidos.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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