O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a reivindicar politicamente o fechamento do Banco Master como resultado da atuação de seu governo. Antes da liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, porém, Lula havia encaminhado a reclamação de Daniel Vorcaro para análise técnica da autoridade monetária.
Em entrevista ao SBT News nesta quinta-feira (10), Lula afirmou que Vorcaro o procurou em dezembro de 2024 alegando que o Banco Master estava sendo perseguido. Segundo o presidente, sua resposta foi que a instituição receberia o mesmo tratamento dispensado aos demais bancos.
“O Daniel Vorcaro veio conversar comigo, dizendo que estavam perseguindo o banco dele. Eu disse para ele que o Banco Master seria analisado como qualquer banco”, declarou Lula. Ao falar sobre o que aconteceu posteriormente, afirmou que Vorcaro “não estava correto, o banco foi fechado e ele foi preso”.
Lula encaminhou caso do Banco Master ao BC
Gabriel Galípolo, que participou da reunião de dezembro de 2024 e ainda não havia tomado posse como presidente do Banco Central, apresentou posteriormente uma descrição mais detalhada daquele encontro.
Em depoimento no Senado, em abril de 2026, Galípolo relatou que Lula disse a Vorcaro que o assunto não cabia à Presidência da República e competia ao Banco Central. Segundo Galípolo, a orientação era que o caso recebesse tratamento técnico.
A declaração estabelece um limite importante para a reconstrução daquele episódio. A reclamação de Vorcaro chegou diretamente ao presidente da República, mas a análise da situação financeira do Master foi direcionada à autoridade monetária.
BC liquidou Master meses depois da reunião
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S.A. O ato também nomeou o liquidante e tornou indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores relacionados no comunicado oficial.
Na ocasião, o BC informou que a adoção dos regimes especiais no conglomerado foi motivada por grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas que regem as instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.
A liquidação extrajudicial de instituições financeiras está disciplinada pela Lei nº 6.024/1974. No caso do Banco Master S.A., foi o presidente do Banco Central quem decretou o regime, por meio do Ato nº 1.369, com fundamento nos artigos 15 e 16 da lei. Na prática, essa competência ajuda a distinguir a atribuição política feita agora por Lula do ato administrativo que colocou o banco em liquidação.
A liquidação ocorreu durante o mandato de Lula e é esse resultado que o presidente agora associa à atuação de seu governo. Na entrevista, ele reforçou essa relação ao declarar que “o Vorcaro foi preso no meu governo, e o banco foi fechado no meu governo”.
As fontes disponíveis, contudo, delimitam o que pode ser atribuído diretamente a cada parte. Lula encaminhou o caso para tratamento técnico do Banco Central, e foi a autoridade monetária que posteriormente decretou a liquidação extrajudicial. Não há, nas fontes utilizadas nesta matéria, registro de uma ordem de Lula para que o Master fosse liquidado.