Donald Trump e Elon Musk começaram a colocar milhões de dólares na reta final das eleições legislativas dos Estados Unidos. Um dos destinos chama atenção: grupos ligados aos dois direcionaram US$ 12,4 milhões à disputa pelo Senado no Texas, Estado onde os republicanos não perdem uma eleição estadual para os democratas há décadas.
O valor de US$ 12,4 milhões é a soma, calculada pelo J1, de aportes informados pela Reuters para a mesma disputa: a MAGA Inc., principal braço de arrecadação de Trump, colocou US$ 10 milhões, enquanto o America PAC, de Musk, injetou US$ 2,4 milhões para apoiar o republicano Ken Paxton.
Do outro lado está o democrata James Talarico, que aparece 2,1 pontos percentuais à frente de Paxton na média das pesquisas compiladas pelo Silver Bulletin, de Nate Silver. O levantamento retrata o cenário atual da disputa e não permite antecipar o resultado da eleição.
Texas amplia a disputa republicana por recursos
O peso de gastar no Estado foi destacado pelo próprio campo republicano. Brad Dayspring, estrategista da Purple Strategies, disse à Reuters que os republicanos agora precisam gastar “dinheiro de verdade” para defender um mapa eleitoral ampliado.
Dayspring citou especificamente a necessidade de investir milhões no Texas. Segundo ele, a entrada dos recursos de Trump e Musk permite reforçar disputas vulneráveis sem esgotar o dinheiro disponível para o restante do mapa.
A distribuição desses recursos ganha importância porque os republicanos enfrentam a perspectiva de perder o controle de pelo menos uma das Casas do Congresso, segundo a Reuters. Pesquisas citadas pela agência também indicam maior motivação dos eleitores democratas para comparecer às urnas.
Trump prepara ofensiva de até US$ 500 milhões
Trump afirmou a jornalistas na semana passada que planeja destinar entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões para impulsionar candidatos republicanos nas eleições legislativas de 3 de novembro.
O No Going Back, novo grupo de financiamento apoiado pelo fundo eleitoral de Trump, já garantiu mais de US$ 24,9 milhões em propaganda no Alasca, Geórgia, Michigan, Carolina do Norte, New Hampshire e Ohio, conforme dados da AdImpact citados pela Reuters.
Musk também prepara uma operação de mobilização em Estados considerados importantes. O America PAC já gastou mais de US$ 7 milhões em publicidade digital, mensagens de texto, telefonemas, correspondências e outros materiais, segundo registros federais citados pela Reuters.
A escala desses desembolsos levanta uma questão para quem acompanha a eleição a partir do Brasil: as regras brasileiras permitem que um bilionário participe do financiamento eleitoral da mesma maneira?
Um bilionário poderia fazer o mesmo no Brasil?
Não da mesma forma. Nas eleições brasileiras de 2026, pessoas físicas podem doar recursos a campanhas, mas, como regra geral, as doações ficam limitadas a 10% dos rendimentos brutos do doador no ano anterior à eleição. A regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral também proíbe campanhas de receber recursos de pessoas jurídicas e de origem estrangeira.
O Brasil ainda conta com financiamento público. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha destinado às eleições de 2026 soma R$ 4.961.519.777, distribuídos aos partidos conforme critérios previstos na legislação eleitoral.
Isso significa que estruturas americanas como MAGA Inc. e America PAC não têm equivalência direta no financiamento de campanhas brasileiras. Os valores movimentados nos Estados Unidos, portanto, não podem ser transportados para a realidade brasileira sem considerar as diferenças entre os dois sistemas.
Eleição definirá o Congresso dos dois anos finais de Trump
A votação americana de 3 de novembro não escolherá um novo presidente. Ela definirá a composição do Congresso na segunda metade do mandato de Trump.
Para o presidente, a consequência é prática: propostas que dependem de aprovação legislativa passarão pelo Congresso resultante dessas eleições. A composição escolhida em novembro determinará o ambiente parlamentar com o qual Trump terá de lidar nos dois anos finais de seu mandato.