Marçal derrubou duas condenações, mas uma ainda o deixa inelegível até 2032

Pablo Marçal reverteu duas condenações eleitorais, mas segue inelegível até 2032 por uso indevido dos meios de comunicação na campanha de 2024.
Pablo Marçal, que segue inelegível até 2032, durante evento
Pablo Marçal segue inelegível até 2032 por decisão relacionada à campanha municipal de 2024.(Imagem: Reprodução).

Pablo Marçal (PRTB) conseguiu reverter duas condenações à inelegibilidade relacionadas à eleição municipal de 2024, mas uma terceira decisão continua produzindo efeitos e o deixa inelegível por oito anos a partir daquele pleito. Nesta sexta-feira (11), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria para rejeitar o registro de sua candidatura à Presidência.

A condenação que permanece é a do chamado “concurso de cortes”. O caso envolveu a disseminação de conteúdos do então candidato nas redes sociais mediante remuneração de participantes e oferta de brindes. Em dezembro de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) manteve a punição por uso indevido dos meios de comunicação social.

O que levou Marçal à inelegibilidade

Segundo o TRE-SP, a ação apontava que o concurso incentivava terceiros a produzir e disseminar vídeos de Marçal nas redes sociais em troca de remuneração. Para a maioria da Corte, a prática configurou uso indevido dos meios de comunicação social.

O julgamento foi decidido por 4 votos a 3. O presidente do TRE-SP, desembargador Silmar Fernandes, desempatou a votação pela inelegibilidade. O tribunal também manteve multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial.

Nem todas as acusações daquele processo, porém, prevaleceram. Marçal também havia sido condenado em primeira instância por captação e gastos ilícitos de recursos e abuso de poder econômico. Ao julgar os recursos, o TRE-SP afastou esses dois fundamentos e preservou a condenação pelo uso indevido dos meios de comunicação.

É essa punição que ajuda a explicar o cenário desta sexta-feira no TSE. A relatora Estela Aranha considerou a inelegibilidade um impedimento ao registro presidencial. Conforme as informações do julgamento em andamento, Nunes Marques, André Mendonça e Ricardo Villas Bôas Cueva acompanharam a relatora, formando maioria de quatro votos contra o registro.

Por que duas vitórias na Justiça não resolveram o problema

As decisões favoráveis obtidas por Marçal tratavam de outros processos eleitorais.

Em novembro de 2025, o TRE-SP reverteu por unanimidade uma condenação ligada à acusação de venda de apoio político a candidatos a vereador em troca de doações de R$ 5 mil para sua campanha por meio de Pix.

Em 25 de agosto de 2026, por 5 votos a 1, o tribunal afastou outra condenação de primeira instância. Essa ação envolvia, entre outros fatos, publicações que questionavam o processo eleitoral e a Justiça Eleitoral. Ao noticiar a decisão, o próprio TRE-SP esclareceu que a inelegibilidade do processo anterior continuava em vigor e ainda admitia recurso ao TSE.

Filiação ao PRTB abre uma segunda frente

Mesmo que a discussão sobre a inelegibilidade seja o ponto central, o registro presidencial enfrenta outra controvérsia. O Ministério Público Eleitoral (MPE) questionou se Marçal comprovou filiação ao PRTB dentro do prazo exigido para concorrer. Segundo o órgão, havia elementos indicando vínculo com o União Brasil no período relevante.

A questão é independente da condenação eleitoral que o tornou inelegível e, por isso, não deve ser confundida com as decisões revertidas no TRE-SP.

Com a maioria formada nesta sexta-feira, a candidatura depende agora da conclusão formal do julgamento no TSE. Até esse encerramento, o resultado não deve ser tratado como definitivo. A decisão definirá a situação do registro de Marçal para a disputa presidencial de 2026.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

Veja também

Mais lidas