A Polícia Federal (PF) apreendeu cerca de R$ 240 mil em dinheiro vivo, incluindo US$ 34 mil, durante a Operação Testa de Ferro, que teve como alvo a deputada estadual Tayla Peres (Republicanos-RR) nesta sexta-feira (26). Além da residência da parlamentar, os agentes cumpriram mandados no gabinete dela na Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR), ampliando a repercussão política da investigação.
Segundo a PF, o inquérito apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio da compra e venda de veículos com o uso de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”. Durante as buscas, foram encontrados aproximadamente 50 envelopes com dinheiro em espécie, enquanto um irmão da deputada foi conduzido para prestar esclarecimentos na sede da corporação, em Boa Vista.
Até a publicação desta reportagem, Tayla Peres não havia se manifestado sobre a operação. A investigação segue em andamento, não há denúncia apresentada nem decisão judicial que atribua responsabilidade criminal aos investigados, e a apuração permanece na fase de coleta e análise das provas.
A operação ganha relevância institucional porque alcança uma parlamentar em exercício e reúne diligências em diferentes endereços ligados à investigada. Embora o foco da investigação seja individual, o cumprimento de mandados em um gabinete parlamentar amplia naturalmente o interesse público sobre os desdobramentos do caso.
PF apreende dinheiro com Tayla Peres durante a Operação Testa de Ferro
Batizada de Operação Testa de Ferro, a ação cumpre 16 mandados de busca e apreensão em 11 endereços, expedidos pela Justiça Federal. Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado é suspeito de utilizar negociações de veículos e pessoas interpostas para ocultar patrimônio e dissimular a origem de recursos.
Entre os materiais recolhidos durante a operação estão:
- cerca de R$ 240 mil em espécie, parte convertida em dólares;
- aproximadamente 50 envelopes contendo dinheiro vivo;
- documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que passarão por análise pericial.
O nome da operação faz referência à expressão “testa de ferro”, utilizada para designar pessoas que aparecem formalmente como proprietárias de bens ou empresas em nome de terceiros. Segundo a linha investigativa da PF, esse mecanismo pode ser empregado para dificultar a identificação do verdadeiro patrimônio de um grupo investigado.
Buscas no gabinete ampliam o alcance das apurações
Além da residência da deputada, agentes federais realizaram buscas no gabinete de Tayla Peres na Assembleia Legislativa de Roraima.
Em investigações patrimoniais, diligências em gabinetes podem buscar documentos, registros, equipamentos eletrônicos e outros elementos que auxiliem na reconstrução da movimentação financeira dos investigados. A medida, por si só, não representa conclusão sobre eventual responsabilidade criminal, mas amplia o conjunto de informações que será analisado durante o inquérito.
Em nota, a Assembleia Legislativa informou que a operação ocorreu exclusivamente em um gabinete e ressaltou que a Casa não é alvo da investigação. Também afirmou ter colaborado com os agentes e explicou que a restrição temporária de acesso ao prédio foi adotada por razões de segurança.
O que a PF investiga no esquema de lavagem de dinheiro
Segundo a Polícia Federal, a investigação identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas e negociações de veículos sem aparente justificativa econômica, além da utilização de “laranjas” para ocultar bens e a origem dos recursos.
Todo o material apreendido será submetido à perícia e poderá auxiliar na reconstrução da movimentação financeira investigada. A partir dessa análise, a Polícia Federal decidirá os próximos passos do inquérito e avaliará se há elementos para novas diligências ou eventual responsabilização dos envolvidos.
A operação coloca a deputada Tayla Peres no centro de uma investigação federal com repercussão política em Roraima. O desfecho do caso, porém, dependerá da análise das provas reunidas durante o cumprimento dos mandados e das conclusões que vierem a ser apresentadas pelas autoridades competentes.