O Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu uma investigação sigilosa para apurar se o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), favoreceu o Banco Master no processo que permitiu a operação do Credcesta, modalidade de cartão consignado voltada a servidores públicos, aposentados e pensionistas. A apuração foi solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O caso envolve atos adotados em maio de 2023, quando um decreto estadual criou uma margem consignável exclusiva de 10% para cartões de benefício. Dias depois, o Banco Master solicitou credenciamento para operar o produto no estado. Em seguida, recebeu autorização após uma tramitação que agora está sob análise dos investigadores.
A investigação surge em um momento politicamente sensível para Mauro Mendes, que deixou o governo em março de 2026 para viabilizar sua pré-candidatura ao Senado. Embora não haja acusação formal nem denúncia apresentada, a abertura do procedimento coloca o ex-governador no centro de uma apuração. Essa apuração busca esclarecer as condições do credenciamento do Credcesta em Mato Grosso.
O impacto político decorre menos do mérito já apurado e mais da exposição pública do caso. Em ano eleitoral, a existência de um procedimento em tribunal superior tende a ampliar questionamentos de adversários. Além disso, aumenta a pressão sobre campanhas e alianças partidárias.
Apesar da abertura da investigação, o procedimento ainda está em fase inicial de apuração. Não houve denúncia apresentada pela PGR nem acusação formal contra Mauro Mendes. O objetivo do inquérito é verificar se houve regularidade no processo administrativo que permitiu a entrada do Credcesta no estado.
STJ investiga Mauro Mendes após tramitação rápida do Credcesta
O foco da investigação está nas circunstâncias que cercaram o credenciamento do Credcesta em Mato Grosso.
Segundo as informações apuradas, a sequência dos atos administrativos chamou atenção dos investigadores por causa da velocidade com que o processo avançou dentro da estrutura estadual.
- Em 5 de maio de 2023, foi publicado o decreto que criou a margem exclusiva para cartão-benefício.
- Três dias depois, o Banco Master solicitou credenciamento para atuar no programa.
- Em cerca de 24 horas, o procedimento administrativo foi aberto pelo governo estadual.
- Em 12 de maio, após o envio de documentação complementar, o processo recebeu parecer favorável para operação.
A análise busca esclarecer se houve apenas celeridade administrativa ou eventual tratamento diferenciado na tramitação do pedido. Até o momento, a investigação permanece sob sigilo e não há conclusão divulgada pelas autoridades responsáveis.
Caso amplia alcance político das apurações envolvendo o Banco Master
A relevância política da investigação decorre também do contexto nacional envolvendo o Banco Master.
Nos últimos meses, a instituição financeira passou a ser alvo de maior escrutínio público em razão de diferentes apurações, questionamentos regulatórios e debates sobre operações conduzidas pelo banco. Esse cenário ampliou o interesse sobre contratos, convênios e credenciamentos firmados por entes públicos com a instituição.
O caso de Mato Grosso representa uma mudança de foco. Em vez de concentrar atenção apenas nas atividades do banco, os investigadores passaram a examinar também as decisões administrativas. Essas decisões permitiram a expansão de produtos financeiros vinculados à instituição em diferentes estados.
Essa ampliação do alcance das apurações aumenta a relevância política do episódio porque conecta uma investigação administrativa a um agente público. Este agente hoje ocupa posição estratégica no cenário eleitoral mato-grossense.
Defesa afirma que Banco Master era uma entre 24 instituições credenciadas
Por meio de nota, Mauro Mendes afirmou que o decreto questionado teve origem em uma indicação aprovada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Ele também declarou que o decreto seguiu todos os princípios legais da administração pública.
A defesa sustenta que o Banco Master não recebeu tratamento privilegiado, argumentando que 24 instituições financeiras foram credenciadas para oferecer o cartão-benefício. Além disso, diz que o banco sequer foi o primeiro a obter aprovação no estado.
Mendes também destacou que a instituição já mantinha operações semelhantes em diversos estados brasileiros antes da implementação do programa em Mato Grosso. Segundo a nota, pelo menos 16 estados já possuíam convênios com o Banco Master, número que posteriormente teria alcançado 22 unidades da federação.
Além da defesa técnica, o ex-governador atribuiu a divulgação da investigação a uma possível motivação política. Segundo ele, a informação veio a público logo após a confirmação de sua pré-candidatura ao Senado, circunstância que levantaria dúvidas sobre o momento do vazamento.
Mauro Mendes é apontado como um dos principais nomes do campo de centro-direita para a disputa de uma das vagas ao Senado por Mato Grosso em 2026. Nesse contexto, a investigação aberta pelo STJ adiciona um novo elemento ao ambiente político da eleição. Enquanto isso, autoridades avançam na apuração sobre as condições em que o Credcesta foi autorizado a operar no estado.