A China elevou o tom contra o G7 nesta quinta-feira (18) após os líderes das principais economias ocidentais anunciarem medidas para reduzir a dependência de fornecedores chineses de minerais estratégicos. Pequim afirmou que seus controles de exportação seguem padrões internacionais. Além disso, acusou o grupo de promover regras que enfraquecem o comércio global.
A reação ocorre depois de o G7 formalizar uma estratégia conjunta para diversificar o abastecimento de matérias-primas consideradas essenciais para setores como defesa, tecnologia avançada e energia renovável. O plano inclui coordenação de estoques e maior participação da Agência Internacional de Energia (AIE).
Os minerais críticos da China passaram a ocupar uma posição estratégica semelhante à que o petróleo representou em grandes disputas geopolíticas do século passado. O controle sobre esses insumos influencia cadeias industriais inteiras e afeta diretamente a capacidade produtiva das maiores economias do mundo.
Para os governos do G7, a questão deixou de ser apenas econômica. O acesso a minerais estratégicos passou a ser tratado como tema de segurança nacional, diante da dependência de insumos usados em armamentos, inteligência artificial, semicondutores e infraestrutura energética.
Minerais estratégicos se transformam em instrumento de poder global
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que os mecanismos de controle de exportação adotados por Pequim seguem práticas internacionais. Além disso, cumprem obrigações ligadas à não proliferação e à estabilidade regional.
Ao mesmo tempo, o governo chinês criticou o que chamou de “pequenos grupos” econômicos, em referência ao G7. A declaração reforça a narrativa chinesa de que o Ocidente busca reorganizar cadeias produtivas globais para reduzir a influência de Pequim.
A tensão aumentou após as restrições impostas pela China à exportação de ímãs permanentes e outros insumos ligados às terras raras da China. Essa medida provocou preocupação em diversos setores industriais ao redor do mundo. O temor das economias ocidentais cresceu à medida que restrições recentes passaram a afetar cadeias ligadas a veículos elétricos, equipamentos de defesa e componentes eletrônicos.
O que o G7 pretende mudar até 2030
Os países do G7 estabeleceram metas para diminuir a concentração de fornecedores considerados estratégicos para suas economias.
Entre os objetivos anunciados estão:
- Reduzir a dependência de um único fornecedor para menos de 60% até 2030;
- Buscar o limite de 50% o mais rápido possível;
- Coordenar estoques de minerais críticos entre países aliados;
- Ampliar mecanismos de monitoramento de riscos nas cadeias globais de suprimentos.
Embora a declaração não cite diretamente Pequim, a iniciativa tem como alvo evidente a atual dependência do G7 da China em diversos segmentos ligados às terras raras e minerais estratégicos.
A iniciativa revela uma mudança relevante na estratégia das economias ocidentais. Em vez de responder apenas a crises comerciais, os governos passaram a buscar cadeias de suprimento consideradas politicamente seguras, mesmo quando isso implica custos maiores para empresas e consumidores. A prioridade deixou de ser apenas eficiência econômica e passou a incluir resiliência geopolítica.
Corrida por fornecedores alternativos deve acelerar investimentos
A reação chinesa evidencia que a disputa por recursos minerais se tornou um dos principais capítulos da competição econômica entre grandes potências. Nos últimos anos, Estados Unidos, Canadá, Austrália e países europeus ampliaram projetos de mineração e processamento para reduzir vulnerabilidades.
Diferentemente do petróleo, cuja produção está distribuída por diversas regiões do planeta, parte relevante do processamento global de minerais estratégicos permanece concentrada na China. Essa posição fortalece a capacidade de influência de Pequim e dificulta uma substituição rápida por fornecedores alternativos.
O desafio, porém, permanece elevado. A China continua ocupando posição dominante em etapas fundamentais da cadeia global de produção e refino desses materiais. Esse fator amplia a relevância estratégica da exportação de minerais estratégicos para a economia mundial.
O efeito imediato é o aumento da competição por projetos de mineração, refinarias e cadeias de processamento fora da China. A disputa tende a impulsionar investimentos bilionários, novos acordos internacionais e políticas industriais voltadas à redução de dependências consideradas críticas. Como resultado, redefine a geografia econômica de setores ligados à defesa, tecnologia e transição energética.