O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à França nesta segunda-feira (15) para participar da cúpula do G7 como convidado. Durante o encontro, o petista pretende usar os discursos oficiais para defender maior apoio financeiro aos países em desenvolvimento e criticar medidas comerciais que restringem o acesso a mercados internacionais. Essa iniciativa ocorre em um momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP31. Assim, isso amplia a pressão por compromissos financeiros das economias mais ricas.
Embora o Brasil não integre o grupo formado pelas maiores economias industrializadas do mundo, Lula participará das sessões destinadas aos países convidados a partir de terça-feira (16). Por isso, a expectativa do governo é aproveitar o espaço para reforçar posições defendidas pelo país em fóruns multilaterais. O Brasil também quer ampliar a influência brasileira em debates estratégicos sobre comércio e desenvolvimento.
A estratégia coloca o presidente diante de uma agenda sensível. De um lado, Lula pretende cobrar mais recursos para nações que enfrentam dificuldades para financiar projetos de desenvolvimento. De outro, busca defender mudanças em regras econômicas que, na avaliação do governo, limitam oportunidades para países emergentes.
O movimento ocorre em um fórum do qual o Brasil não faz parte. Ao levar essas cobranças à cúpula, Lula tenta ampliar o peso político do país em discussões globais mesmo sem integrar formalmente o grupo das maiores economias industrializadas.
Lula no G7 quer recolocar financiamento global no centro do debate
O primeiro discurso do presidente está previsto para a sessão dedicada às parcerias internacionais. Segundo integrantes da comitiva, o foco será a redução da ajuda internacional destinada aos países mais pobres.
A avaliação do governo brasileiro é que o enfraquecimento desses mecanismos amplia desigualdades e reduz a capacidade de investimento de economias emergentes. Além disso, dados recentes apontam que parte dos países desenvolvidos reduziu ou redirecionou recursos de cooperação internacional nos últimos anos. Esse cenário é associado por governos emergentes a dificuldades para financiar infraestrutura, transição energética e programas sociais.
Para o governo brasileiro, o tema ganhou peso adicional porque parte dos recursos usados por países emergentes para financiar projetos estratégicos depende justamente desses mecanismos internacionais. Nesse contexto, Lula deve defender maior participação dos países ricos no financiamento ao desenvolvimento. Isso também se conecta às discussões climáticas que ganharão protagonismo com a COP31.
Tarifaço dos EUA entra na pauta da cúpula do G7 2026
O segundo discurso ocorrerá na sessão dedicada ao crescimento sustentável. Nela, o presidente pretende abordar o aumento das barreiras comerciais e os efeitos do chamado tarifaço dos EUA sobre a economia global.
Segundo assessores, Lula defenderá o fortalecimento de organismos multilaterais e voltará a cobrar mudanças na governança internacional. A Organização Mundial do Comércio (OMC) aparece entre as instituições que devem ser citadas pelo presidente como parte da defesa de regras mais previsíveis para o comércio global.
Entre os pontos considerados prioritários pelo governo brasileiro estão:
- redução de barreiras comerciais;
- fortalecimento das regras multilaterais;
- ampliação da participação de países emergentes;
- maior previsibilidade para o comércio internacional.
A posição busca marcar diferença em relação ao avanço de políticas consideradas mais protecionistas por parte de algumas potências econômicas. Ao mesmo tempo, o governo procura manter um discurso diplomático para evitar desgaste em negociações que seguem em andamento com os Estados Unidos.
Reuniões bilaterais ampliam peso político da viagem
Além dos discursos, Lula aproveitará a agenda para realizar encontros com chefes de Estado e de governo presentes na cúpula. A primeira reunião ocorreu com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, ainda em Genebra.
Em Évian, o presidente brasileiro também deverá se reunir com Emmanuel Macron, anfitrião do encontro, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Outros pedidos de reuniões seguem em análise pela diplomacia brasileira, incluindo uma solicitação do presidente egípcio Abdel Fattah El-Sisi.
Não há previsão oficial de encontro bilateral entre Lula e Donald Trump. Ainda assim, a presença simultânea dos dois líderes mantém atenção sobre eventuais conversas nos bastidores da cúpula, especialmente diante das discussões sobre comércio internacional.
A agenda do presidente será encerrada na quarta-feira (17) com um almoço dedicado à inteligência artificial. O encontro reunirá chefes de Estado e representantes do setor tecnológico. Dessa forma, fechará uma participação na qual o governo brasileiro pretende associar desenvolvimento, comércio e governança global como pilares de sua atuação internacional.