O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa neste domingo (2), em São Paulo, da convenção nacional que deve oficializar sua candidatura à reeleição ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). No dia anterior, Renan Santos, do Partido Missão, realiza um ato público de lançamento de campanha na mesma cidade. Embora ocorram no mesmo fim de semana, os dois eventos representam projetos políticos em estágios completamente diferentes: de um lado, a tentativa de continuidade de um governo; do outro, a estreia de uma legenda em uma eleição presidencial.
A diferença vai além do calendário eleitoral. Lula tenta conquistar o quarto mandato como presidente da República, depois das vitórias em 2002, 2006 e 2022, apoiado pela única chapa presidencial oficialmente formada por uma aliança entre partidos até o momento, entre PT e PSB. Já Renan Santos disputa sua primeira eleição presidencial e representa o Partido Missão, que fará sua estreia na corrida ao Palácio do Planalto, um marco para a legenda recém-chegada ao cenário eleitoral nacional.
Experiência de governo diante da estreia nacional
O contraste entre as candidaturas também aparece na trajetória política de cada partido. O PT chega à eleição como a legenda que atualmente ocupa a Presidência da República e acumula vitórias presidenciais desde a redemocratização, enquanto o Partido Missão busca construir sua presença nacional com sua primeira candidatura ao cargo mais importante do Executivo federal. Assim, os objetivos dos dois atos são distintos: Lula formaliza a continuidade de uma coalizão que governa o país desde 2023, enquanto Renan inicia a fase pública de uma campanha que pretende apresentar ao eleitor uma nova alternativa partidária.
No caso do presidente, a convenção deste domingo é a etapa exigida pela legislação eleitoral para homologar oficialmente sua candidatura. Renan Santos já teve seu nome aprovado em convenção realizada em 20 de julho, antecipada por decisão da legenda. O encontro deste sábado, portanto, tem caráter de lançamento público da campanha e mobilização política, sem substituir a homologação já concluída.
Calendário eleitoral entra na reta decisiva
As convenções partidárias podem ser realizadas até 5 de agosto. Depois dessa etapa, os partidos deverão registrar oficialmente seus candidatos na Justiça Eleitoral até 15 de agosto, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisará o cumprimento das exigências legais antes de deferir os registros.
Além de Lula e Renan Santos, outros presidenciáveis já realizaram convenções ou eventos de oficialização, como Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Samara Martins, Leonardo Avalanche, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta e Edmilson Costa. A partir dessa fase, os pré-candidatos passam a cumprir as últimas etapas burocráticas para disputar oficialmente a eleição, enquanto as campanhas entram em ritmo mais intenso em todo o país.
Dois caminhos diferentes para chegar ao eleitor
Apesar de integrarem a mesma corrida presidencial, Lula e Renan Santos iniciam a campanha em posições opostas. De um lado, está um presidente que busca renovar um projeto político já testado nas urnas e atualmente no comando do país. Do outro, uma legenda que participa pela primeira vez de uma eleição presidencial e tenta conquistar espaço em um cenário dominado por partidos tradicionais. Essa diferença faz com que o mesmo fim de semana marque, ao mesmo tempo, a continuidade de uma coalizão consolidada e o início do maior desafio eleitoral da história do Partido Missão.