A posse de Keiko Fujimori como presidente do Peru, nesta terça-feira (28), vai além da troca de comando no Palácio de Pizarro. O início do novo governo consolida o retorno da direita ao poder no país e reforça uma tendência observada nos últimos anos na América do Sul, onde governos de perfil conservador voltaram a ganhar espaço.
A cerimônia será realizada no Congresso peruano, onde Keiko receberá a faixa presidencial e fará seu primeiro discurso oficial. Em seguida, ela seguirá para o Palácio do Governo para dar posse aos ministros que integrarão seu gabinete.
Posse reúne líderes da região e reforça peso diplomático
A transmissão de cargo contará com a presença de diversas autoridades internacionais. Entre elas estão o presidente da Argentina, Javier Milei, o rei Felipe VI, da Espanha, além dos presidentes do Equador, Paraguai, Uruguai, Panamá, Honduras e outras delegações oficiais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não confirmou presença na cerimônia. O Brasil deverá ser representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A presença de diferentes chefes de Estado transforma a posse em um dos principais encontros diplomáticos da região neste início de mandato, oferecendo os primeiros sinais sobre as prioridades internacionais do novo governo peruano.
Vitória apertada mostra um país dividido
Keiko chega ao cargo após vencer uma das eleições mais equilibradas da história recente do Peru. Segundo o Jurado Nacional de Eleições (JNE), ela recebeu 9.223.396 votos (50,135%), contra 9.173.755 votos (49,865%) do candidato de esquerda Roberto Sánchez.
A diferença final foi de apenas 49.641 votos, resultado oficializado em 3 de julho após uma apuração marcada pelo equilíbrio entre os dois candidatos.
Embora a disputa tenha sido apertada, a posse encerra oficialmente o ciclo iniciado em 2021 com o governo do esquerdista Pedro Castillo e recoloca a direita no comando do país.
Retorno do sobrenome Fujimori ao poder
A eleição também marca a volta da família Fujimori à Presidência peruana. O pai da presidente, Alberto Fujimori, governou o Peru entre 1990 e 2000. Seu governo terminou após um autogolpe e, anos depois, ele foi condenado por crimes contra os direitos humanos.
Apesar da forte associação ao legado do pai, Keiko construiu sua trajetória política em sucessivas disputas presidenciais até conquistar a vitória neste ano.
O que muda para a América do Sul
Com a posse de Keiko, o Peru passa a integrar um grupo maior de governos de direita na América do Sul. A mudança pode influenciar o posicionamento do país em debates sobre integração regional, comércio, segurança e relações diplomáticas com os vizinhos.
Os primeiros pronunciamentos da presidente e a composição definitiva de seu ministério serão observados pelos governos da região, especialmente pelo Brasil, que mantém o Peru como um importante parceiro comercial e estratégico na América do Sul.