A possível candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal ganhou um novo elemento político nesta sexta-feira (31). Enquanto o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a decisão será tomada por Jair Bolsonaro e anunciada até domingo (2), também confirmou que a ex-primeira-dama não voltará à presidência do PL Mulher antes das eleições, mesmo se entrar na disputa.
O contraste chama atenção porque Michelle é considerada uma das principais lideranças femininas do partido desde 2023 e foi apontada como um dos nomes mais competitivos da legenda para o Senado. Se confirmar a candidatura, será sua primeira eleição, mas sem reassumir o comando da estrutura partidária criada justamente para ampliar a presença feminina do PL.
Decisão eleitoral continua condicionada à situação de Bolsonaro
Após uma reunião de cerca de uma hora com Michelle em uma doceria próxima ao condomínio onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, Valdemar afirmou que a definição ainda depende de uma conversa entre o casal.
“Quem vai decidir é o Bolsonaro, se ela sai candidata ou não. Porque ela está lá com ele, cuidando dele. É muito difícil fazer campanha”, declarou o dirigente.
Segundo ele, Michelle deve anunciar sua posição até domingo, quando o diretório do PL no Distrito Federal realizará a convenção que oficializará os candidatos da legenda. O partido caminha para apoiar a reeleição da governadora Celina Leão (PP) e trabalha para lançar Bia Kicis (PL) como a outra candidata ao Senado.
PL separa projeto eleitoral da estrutura feminina do partido
Além da indefinição sobre a candidatura, Valdemar confirmou uma mudança importante na organização interna do partido. Michelle não reassumirá a presidência do PL Mulher, cargo que deixou após as divergências políticas com o enteado, Flávio Bolsonaro.
Em seu lugar, a coordenação nacional continuará sob responsabilidade de Ana Munhoz, atual secretária nacional do PL Mulher e pessoa de confiança da ex-primeira-dama.
Na prática, o PL separa duas funções que antes estavam concentradas em Michelle: a liderança institucional do núcleo feminino e a possibilidade de disputar um cargo eletivo. Caso confirme a candidatura, ela fará campanha sem comandar formalmente o principal braço do partido voltado ao eleitorado feminino.
Pesquisas reforçam interesse do partido em sua candidatura
A insistência do PL para que Michelle dispute o Senado também tem respaldo nas pesquisas. Em levantamento recente do Paraná Pesquisas, ela aparece com 36% das intenções de voto, atrás apenas da senadora Leila Barros, que registra 39,2%. Como o Distrito Federal elegerá dois senadores em 2026, os eleitores podem escolher dois candidatos.
Os cenários testados mostram ainda que a presença de Michelle altera significativamente a composição da disputa. Sem ela, outros nomes ganham espaço, reforçando por que o PL trata sua eventual candidatura como estratégica para a chapa no Distrito Federal.
A resposta definitiva deve ser conhecida durante a convenção estadual do partido neste domingo. Até lá, permanece aberta não apenas a decisão sobre a candidatura de Michelle Bolsonaro, mas também a definição de como o PL organizará sua principal aposta feminina na campanha de 2026: como candidata ao Senado, sem retornar ao comando do PL Mulher.