A crise envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro chegou oficialmente ao plenário do Senado nesta segunda-feira (13). Em um discurso em defesa da ex-primeira-dama, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) pediu que apoiadores interrompam os ataques contra integrantes da própria direita e afirmou que a disputa deixou de atingir apenas os envolvidos diretamente. Ao revelar que também passou a ser alvo de ofensas e notícias falsas, a parlamentar indicou que o conflito passou a alcançar outros aliados do grupo político.
Crise deixa o ambiente familiar e chega ao debate político
Durante o pronunciamento, Damares classificou como “aloprados” os apoiadores que têm compartilhado ataques contra ela e Michelle nas redes sociais. A senadora negou ter abandonado o apoio ao pré-candidato Flávio Bolsonaro e afirmou que informações falsas passaram a circular para colocá-la em lados opostos dentro do grupo.
Segundo ela, os ataques incluem acusações pessoais e ofensas à sua honra, situação que classificou como violência política de gênero. Damares afirmou que pretende recorrer à Advocacia do Senado para apresentar representações contra os responsáveis pelas publicações, embora tenha dito que ainda não sabe quem está por trás das ações.
Ao defender Michelle, a senadora também afirmou que a ex-primeira-dama enfrenta esse momento praticamente sem respaldo institucional. “Ela está sozinha”, declarou Damares, acrescentando que continuará defendendo a amiga publicamente enquanto considerar necessário.
Como começou o conflito entre Michelle e Flávio
A crise teve início há cerca de três semanas, quando Michelle Bolsonaro afirmou ter sido tratada com desrespeito por Flávio Bolsonaro durante uma ligação telefônica. Segundo ela, o senador foi ríspido e a desrespeitou sem que houvesse motivo para isso. Horas depois da repercussão, Flávio pediu desculpas pela maneira como conduziu a conversa.
O episódio, porém, não encerrou o conflito. Dias depois, Michelle compartilhou um vídeo que associava Flávio ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. O senador reagiu dizendo que a ex-primeira-dama estava desinformada e voltou a criticá-la publicamente, ampliando a exposição das divergências.
Carta de Jair Bolsonaro ampliou a repercussão
A tensão ganhou um novo capítulo no último sábado (11), quando Flávio Bolsonaro leu uma carta escrita por Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, na qual o ex-presidente o apresenta como seu porta-voz e pré-candidato à Presidência da República.
No Senado, Damares reafirmou que Flávio Bolsonaro continua sendo seu pré-candidato, mas fez questão de manifestar apoio público a Michelle Bolsonaro. O discurso mostra que a parlamentar busca defender os dois nomes diante da escalada de ataques entre apoiadores e reforçar o apelo para que o conflito não continue sendo alimentado dentro da própria direita.
Para o cenário político, o episódio evidencia que uma disputa iniciada no ambiente familiar passou a ocupar espaço nas instituições e no debate público. Com a crise chegando ao plenário do Senado e envolvendo a Advocacia da Casa, o conflito amplia sua dimensão política sem alterar, até o momento, o apoio declarado de Damares a Flávio Bolsonaro como pré-candidato e a Michelle Bolsonaro como aliada.