Vídeo contra Trump expõe risco para petróleo e dólar no Brasil

Agência ligada ao governo iraniano divulgou um vídeo de propaganda feito com inteligência artificial em que Donald Trump é morto a tiros. A publicação ocorre após novas ameaças entre Irã e Estados Unidos e reforça a escalada da tensão, com possíveis reflexos sobre petróleo, dólar e a economia brasileira caso o conflito avance.
Vídeo divulgado pela Agência Fars mostra animação em que Donald Trump é morto durante propaganda iraniana.
Animação publicada pela Agência Fars mostra Donald Trump sendo morto em vídeo de propaganda produzido com inteligência artificial.(Imagem:Fars/Reprodução).

Uma agência ligada ao governo do Irã divulgou nesta segunda-feira (13) um vídeo de propaganda em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é morto a tiros após ser perseguido por um homem. A animação, produzida com inteligência artificial, foi publicada dois dias depois de Trump ameaçar destruir o Irã caso o país tente assassiná-lo e amplia a guerra de discursos entre os dois governos, em um momento em que uma nova escalada pode afetar o preço do petróleo, do dólar e, consequentemente, a economia brasileira.

No vídeo, Trump entra em um mercado, empurra uma mulher idosa e faz uma criança chorar. Em seguida, percebe que está sendo seguido, corre por um beco, escorrega em uma casca de banana e cai. Um homem aparece logo depois e atira contra o presidente dos Estados Unidos. A animação termina com a frase, em inglês, “The bill comes due” (“A conta chegou”), acompanhada da mesma mensagem em persa.

Publicação amplia guerra de propaganda entre Irã e Estados Unidos

O vídeo foi divulgado dois dias após Trump afirmar que as Forças Armadas americanas estão preparadas para reagir caso o Irã tente assassiná-lo. Em uma publicação nas redes sociais, o presidente declarou que “mil mísseis estão prontos e carregados” contra o país e que milhares de outros poderiam ser lançados em seguida se uma ameaça contra sua vida fosse executada.

A declaração ocorreu dias depois de apoiadores do governo iraniano entoarem palavras de ordem pedindo a morte de Trump durante o funeral do aiatolá Ali Khamenei. Na última quinta-feira (9), o jornal The Wall Street Journal informou que Israel compartilhou com os Estados Unidos novas informações de inteligência que, segundo autoridades israelenses, apontariam para um novo plano iraniano para matar o presidente americano. O governo do Irã nega qualquer envolvimento em planos desse tipo.

A rivalidade entre Trump e Teerã se intensificou após a morte do general Qassem Soleimani, comandante da Guarda Revolucionária iraniana, morto em janeiro de 2020 em um ataque americano ordenado pelo então presidente dos Estados Unidos. Desde então, autoridades americanas anunciaram diferentes investigações sobre supostos planos iranianos para retaliar o episódio.

Como essa tensão pode chegar ao Brasil

Embora o vídeo não represente uma ação militar, sua divulgação ocorre em meio à retomada das hostilidades entre Washington e Teerã e aumenta a preocupação com uma nova escalada do conflito. Se novos confrontos afetarem a produção ou o transporte de petróleo no Oriente Médio, os efeitos podem ser sentidos também no Brasil.

O principal ponto de atenção é o mercado internacional de energia. O Irã está entre os maiores produtores de petróleo do mundo e a região concentra importantes rotas marítimas de exportação, como o Estreito de Ormuz. Sempre que cresce o risco de interrupção desse fluxo, os preços internacionais do petróleo tendem a subir, pressionando combustíveis e custos de transporte em diversos países.

Para os brasileiros, um cenário de agravamento pode significar maior pressão sobre gasolina, diesel, fretes e inflação, ainda que esses efeitos dependam da duração e da intensidade do conflito. Além disso, períodos de maior instabilidade geopolítica costumam fortalecer o dólar frente a moedas de países emergentes, o que pode encarecer viagens internacionais, produtos importados e insumos utilizados pela indústria brasileira.

Quais são os próximos cenários

Especialistas acompanham três possibilidades para os próximos dias. A primeira é que a disputa permaneça restrita às ameaças públicas e à guerra de propaganda, sem novos confrontos militares. A segunda envolve ataques limitados entre Irã, Estados Unidos e aliados, mantendo a instabilidade na região.

O cenário de maior impacto seria uma ampliação do conflito envolvendo outros países do Oriente Médio. Caso isso aconteça, o mercado financeiro global pode reagir com alta do petróleo, valorização do dólar e aumento da aversão ao risco, fatores que historicamente também afetam a economia brasileira.

Até o momento, não há confirmação de que o vídeo divulgado pela Agência Fars resulte em uma resposta militar imediata dos Estados Unidos. A publicação, porém, reforça a deterioração das relações entre Washington e Teerã justamente quando os dois países voltaram a trocar ataques e ameaças públicas, mantendo a comunidade internacional em alerta para os próximos desdobramentos.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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