A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta segunda-feira (13) ter lançado ataques aéreos contra bases militares dos Estados Unidos no Bahrein, Kuwait, Omã e Jordânia, em retaliação aos bombardeios americanos contra alvos iranianos. A ofensiva ocorre enquanto Teerã ameaça deixar de cumprir o acordo de paz firmado com Washington em junho.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, declarou que o país também deixará de respeitar suas obrigações sempre que considerar que os Estados Unidos descumpriram os compromissos assumidos para encerrar o conflito.
A declaração liga diretamente as novas ações militares ao futuro do cessar-fogo. A troca de ataques já alcança países que abrigam tropas e estruturas americanas, enquanto Catar, Paquistão e Omã tentam manter abertas as negociações diplomáticas.
Bases americanas em quatro países foram apontadas como alvos
Segundo a Guarda Revolucionária, a segunda fase da ofensiva atingiu a base de Sheikh Isa e instalações dos Estados Unidos em Juffair, ambas no Bahrein. O Ministério do Interior do país informou que sirenes de alerta foram acionadas.
No Kuwait, o grupo afirmou ter atacado bases americanas. Na Jordânia, mísseis e drones teriam causado incêndios em tanques de combustível e depósitos de munição na base aérea Prince Hassan. Em Omã, o alvo teria sido um radar usado para detectar embarcações.
As informações sobre os danos foram divulgadas pelas forças iranianas e não tiveram confirmação independente apresentada no material. Autoridades do Bahrein, porém, confirmaram a ativação dos alertas durante a ofensiva.
Estreito de Ormuz permanece no centro do confronto
Os ataques ocorreram depois de os Estados Unidos informarem novos bombardeios contra instalações militares iranianas. Washington afirmou ter atingido cerca de 140 alvos, entre sistemas de mísseis, depósitos de munição, equipamentos de comunicação e outras estruturas militares.
O confronto também mantém o Estreito de Ormuz como ponto central da disputa. O Irã declarou que fechou a passagem por tempo indeterminado para navios comerciais, mas o governo americano contestou a afirmação e disse que a rota permanece aberta.
O tráfego de embarcações, no entanto, seguia em níveis reduzidos. Antes da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural comercializados no mundo passava pela região, o que torna a navegação no estreito relevante para o abastecimento internacional de energia.
Disputa por Ormuz pode chegar ao bolso do brasileiro
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Caso a circulação de navios continue prejudicada ou o conflito se intensifique, a oferta global da commodity pode ser afetada, pressionando as cotações internacionais.
Para o Brasil, isso não significa um reajuste imediato nos combustíveis. A Petrobras adota uma política comercial que considera as condições do mercado e busca evitar o repasse automático das oscilações externas. Ainda assim, uma alta prolongada do preço do petróleo pode aumentar os custos de combustíveis, fretes e transporte, com reflexos sobre produtos que dependem da logística rodoviária para chegar ao consumidor.
Por isso, além dos desdobramentos militares, investidores, empresas e consumidores acompanham a evolução da crise no Oriente Médio. A situação no Estreito de Ormuz passou a ser um dos principais indicadores para medir possíveis efeitos sobre energia e custos da economia mundial, incluindo o Brasil.
Mediadores tentam impedir ruptura do acordo
Mesmo após a nova rodada de ataques, o governo iraniano afirmou que continua em contato com Catar, Paquistão e Omã, que atuam como mediadores. As conversas buscam impedir o retorno pleno da guerra e preservar o acordo provisório firmado em 17 de junho.
A Organização das Nações Unidas (ONU) também se manifestou. O secretário-geral António Guterres afirmou que uma retomada das hostilidades em larga escala teria consequências catastróficas.
A continuidade dos bombardeios e das retaliações deixa o cessar-fogo dependente tanto das negociações quanto do comportamento militar dos dois países. Cada novo ataque reduz o espaço para o cumprimento do acordo, enquanto bases americanas espalhadas pela região permanecem entre os alvos anunciados pelo Irã.