Valdemar Costa Neto é citado em mensagens que embasam decisão de Flávio Dino

Diálogos apreendidos pela Polícia Federal foram citados pelo ministro Flávio Dino ao autorizar novas medidas na investigação sobre suposto desvio de emendas parlamentares.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, durante evento político; STF cita mensagens apreendidas pela PF em investigação sobre emendas parlamentares.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, teve R$ 119,2 milhões em bens bloqueados por decisão do ministro Flávio Dino no âmbito de investigação da Polícia Federal sobre suposto desvio de emendas parlamentares.(Imagem:Instagram).

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) passaram a integrar a base da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o avanço da investigação sobre um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares e determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL).

Os registros foram extraídos do celular de uma servidora e, segundo a decisão judicial, incluem conversas com expressões como “O Valdemar pediu pra trocar” e “emendas do Valdemar”. Também foram encontradas planilhas com as identificações “VCN” e “Valdemar”, que, de acordo com a investigação, fariam referência a cotas de indicação atribuídas ao dirigente partidário.

Na decisão, Flávio Dino afirma que os elementos reunidos pela PF apontam Valdemar Costa Neto como o “mandante” do suposto esquema, destacando que haveria indícios de atuação na coordenação da destinação de emendas parlamentares por meio de servidores ligados à estrutura da Câmara dos Deputados.

O ministro escreveu que “Valdemar Costa Neto contava com autonomia para direcionar recursos de emendas (de comissão, preponderantemente) conforme sua cota pessoal e particular, atribuída a partir de sua condição de presidente da sigla”.

Segundo a investigação, três servidoras e servidores são apontados como intermediários na operacionalização das indicações: Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, Nara Benedetti Nicolau Brum e Garigham Amarante Pinto. Conforme a PF, eles organizariam planilhas e cadastrariam indicações relacionadas ao presidente do PL.

Os investigadores também afirmam que Mariângela Fialek atuava na tramitação de emendas parlamentares desde a presidência da Câmara exercida por Arthur Lira (PP-AL) e permaneceu na função durante a gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB).

De acordo com a Polícia Federalao menos 21 emendas parlamentares teriam sido direcionadas no contexto investigado, envolvendo R$ 119,2 milhões em recursos públicos.

Defesa contesta decisão do STF

A defesa de Valdemar Costa Neto negou qualquer irregularidade e afirmou que a decisão do ministro Flávio Dino se baseia em elementos insuficientes. Em nota, os advogados sustentam que as medidas cautelares representam uma tentativa de “criminalizar a atividade político-partidária” e classificam os fundamentos da decisão como baseados em “premissas frágeis” e “inferências subjetivas”.

A reportagem não conseguiu localizar Mariângela Fialek, Nara Benedetti Nicolau Brum e Garigham Amarante Pintopara comentar as conclusões da investigação. O espaço permanece aberto para manifestação.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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