Governo Lula descarta negociar tarifas do etanol com os EUA e rejeita proposta de Flávio Bolsonaro

Ministro Márcio Elias Rosa afirma que o etanol está fora das negociações comerciais com os Estados Unidos e cita riscos para a produção nacional, principalmente no Nordeste.
Ministro Márcio Elias Rosa durante declaração sobre a decisão do governo Lula de manter o etanol fora das negociações comerciais com os Estados Unidos.
Em meio às negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o governo Lula não pretende incluir o etanol nas tratativas e rejeitou a proposta de reciprocidade tarifária apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro.(Imagem:Editorial).

O governo federal afirmou nesta terça-feira (7) que o etanol permanecerá fora das negociações comerciais com os Estados Unidos, mesmo com as conversas em andamento sobre as tarifas que podem atingir produtos brasileiros. A posição foi anunciada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Márcio Elias Rosa, ao comentar a proposta encaminhada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo americano.

Questionado sobre a possibilidade de reduzir as tarifas brasileiras para o etanol importado dos Estados Unidos, o ministro respondeu de forma direta: “Nunca!”. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera que esse tema não deve integrar as tratativas bilaterais. “O presidente Lula defende que esse tema do etanol não seja tratado nessa negociação. É uma pena que outras pessoas pensem de outro modo e queiram adotar um regime paritário”, declarou.

Governo cita impacto sobre a produção nacional

Para o ministro, a manutenção da política atual busca proteger um setor considerado estratégico para o país. A eventual abertura do mercado brasileiro ao etanol norte-americano poderia afetar principalmente os produtores do Nordeste, região onde a atividade tem forte peso econômico e geração de empregos.

Márcio Elias Rosa afirmou ainda que o segmento já enfrenta um cenário de preços mais baixos e, por isso, qualquer alteração nas tarifas exige cautela. Segundo ele, a produção de etanol no Nordeste seria a mais exposta aos efeitos de uma abertura do mercado, motivo pelo qual o governo decidiu manter o tema fora da negociação comercial com Washington.

Proposta de Flávio Bolsonaro prevê reciprocidade

Na carta enviada às autoridades americanas, Flávio Bolsonaro propôs um acordo de reciprocidade total para as tarifas de importação de etanol e açúcar. O senador argumenta que existe uma diferença entre a tributação aplicada pelos dois países.

Segundo o documento, o Brasil cobra tarifa de 18% sobre o etanol americano, enquanto os Estados Unidos aplicam uma alíquota de 2,5% sobre o produto brasileiro. A manifestação foi apresentada como resposta à investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Negociações seguem antes da decisão dos EUA

A discussão ocorre enquanto os Estados Unidos avaliam a adoção de uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras após a investigação aberta pelo USTR sobre práticas comerciais do Brasil. O governo americano também propôs uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a relatos de trabalho escravo, o que pode elevar a taxação para 37,5% em alguns produtos, caso ambas as medidas sejam adotadas.

Uma audiência pública sobre o tema ocorre nesta terça-feira nos Estados Unidos, e as entidades americanas têm até 15 de julho para concluir a análise. Paralelamente, o governo brasileiro mantém negociações técnicas para tentar evitar a adoção das novas tarifas.

O documento do USTR também questiona práticas brasileiras relacionadas ao Pix, comércio digital, propriedade intelectual e outras políticas comerciais. O governo Lula considera que as alegações não possuem base técnica suficiente e classificou parte dos apontamentos como “absurdos”. Apesar do aumento da tensão entre os dois países, o grupo bilateral de negociação continua em funcionamento, mantendo aberta a possibilidade de um entendimento antes da decisão final americana.

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Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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