Presidente eleito da Colômbia suspende transição e acusa Petro de tentar golpe

Presidente eleito interrompe o processo de transição, pede que as Forças Armadas defendam a Constituição e amplia a crise política às vésperas da posse.
Abelardo de la Espriella e Gustavo Petro durante a crise política na transição presidencial da Colômbia.
O presidente eleito Abelardo de la Espriella e o presidente Gustavo Petro protagonizam uma escalada da tensão política durante a transição de governo na Colômbia.(Imagem:Editorial).

A transição presidencial na Colômbia entrou em um momento de forte tensão nesta terça-feira (7). O presidente eleito Abelardo de la Espriella determinou a suspensão imediata do processo de transferência de governo e acusou o atual presidente, Gustavo Petro, de tentar impedir a alternância de poder. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele também pediu que as Forças Armadas protejam a Constituição e não cumpram ordens que contrariem a democracia, caso essa situação ocorra.

Segundo De la Espriella, Petro e o senador Iván Cepeda teriam iniciado um plano para permanecer no poder após a derrota do candidato governista nas eleições presidenciais. O presidente eleito afirmou que a medida seria uma tentativa de golpe de Estado. Petro não havia respondido diretamente às acusações até a última atualização desta reportagem.

Mais cedo, o atual presidente afirmou, sem apresentar provas, que estaria sendo alvo de uma tentativa de prisão e convocou a população para permanecer unida contra o que chamou de um “governo ilegítimo”. Petro também confirmou manifestações para 20 de julho, data em que fará seu discurso de despedida da Presidência.

Suspensão da transição amplia crise política

Ao anunciar a interrupção da transição, De la Espriella informou que orientou sua equipe a suspender imediatamente qualquer trabalho conjunto com o governo. Segundo ele, a decisão foi motivada pela recusa de Petro em reconhecer o resultado das eleições e por suspeitas de irregularidades administrativas durante o atual mandato.

O presidente eleito afirmou ainda que sua equipe identificou indícios de corrupção e contratos direcionados durante o governo Petro, embora não tenha apresentado provas públicas para sustentar essas acusações. Segundo ele, seu objetivo é garantir uma transição transparente e preservar a ordem constitucional.

Disputa eleitoral continua no centro da crise

A posse de De la Espriella está marcada para 7 de agosto, mas o período de transição ocorre sob sucessivos confrontos políticos entre o presidente eleito, apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Gustavo Petro.

Ainda no primeiro turno das eleições, disputado em maio, De la Espriella recebeu 43,7% dos votos, enquanto o governista Iván Cepeda obteve 40,9%. Na ocasião, Petro contestou a pré-contagem e criticou o sistema utilizado pela empresa Thomas Greg & Sons (TGS), alegando uma suposta divergência de 800 mil pessoas no censo eleitoral.

Apesar das críticas, autoridades eleitorais colombianas e observadores internacionais descartaram qualquer indício de fraude ou manipulação no processo eleitoral. O senador Iván Cepeda reconheceu oficialmente o resultado da eleição, embora tenha declarado estar em “desobediência civil” diante do futuro governo.

Advogado sem experiência política anterior, De la Espriella já anunciou parte de seu ministério e pretende reduzir o tamanho do Estado em 40%, estimular investimentos privados e endurecer o combate às guerrilhas e aos cartéis do narcotráfico, em um cenário de agravamento da violência no país após as tentativas fracassadas de negociação de paz durante o governo Petro.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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