O secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, afirmou na segunda-feira (29) que a gasolina nos EUA pode voltar rapidamente ao patamar de US$ 3 por galão. Isso aconteceria depois de o combustível superar US$ 4 nas bombas nas últimas semanas. Segundo ele, a redução seria favorecida pela maior oferta de petróleo. Além disso, as medidas adotadas pelo governo de Donald Trump ajudariam a ampliar a produção de energia.
A expectativa tem impacto direto sobre milhões de consumidores americanos, já que o combustível pesa no orçamento das famílias e influencia os custos de transporte e logística. Burgum também atribuiu parte desse cenário à flexibilização das sanções contra a Venezuela. Essa medida, segundo ele, amplia a oferta de petróleo no mercado internacional.
Embora a declaração tenha sido apresentada como um sinal de melhora econômica, não houve anúncio de medida que reduza imediatamente o preço da gasolina. O governo não anunciou cortes de impostos nem alterações regulatórias capazes de determinar uma queda automática nas bombas. O que existe é uma projeção baseada na evolução do mercado de petróleo.
A entrevista também levou o debate para o campo político. Burgum afirmou que moradores de estados governados por democratas deveriam abastecer em estados republicanos. Nesses estados, segundo ele, o combustível custa em média US$ 0,53 a menos por galão. Dessa forma, a discussão sobre energia vira mais um capítulo da polarização entre os dois partidos.
O que realmente pode fazer a gasolina cair nos Estados Unidos
A previsão apresentada pelo governo depende de fatores que vão além das decisões da Casa Branca. Nos Estados Unidos, o governo federal não define diretamente o preço da gasolina. O valor pago pelo consumidor resulta da combinação entre a cotação internacional do petróleo, custos de refino, transporte, impostos estaduais e margens das distribuidoras e postos.
Isso significa que uma eventual gasolina a US$ 3 por galão dependerá da continuidade da queda do petróleo e da manutenção da oferta global. Mesmo que Washington adote medidas para estimular a produção de energia, parte dos fatores que determinam o preço permanece fora do controle do governo americano.
Entre os principais elementos que influenciam o preço estão:
- cotação internacional do petróleo;
- capacidade de refino das usinas americanas;
- impostos cobrados por cada estado;
- custos de transporte e distribuição;
- oferta global de petróleo, incluindo países da Opep+ e a Venezuela.
Por que Trump aposta tanto no preço da gasolina
O preço da gasolina é um dos indicadores econômicos mais visíveis para o eleitor americano. Diferentemente de dados como inflação ou crescimento do PIB, o combustível faz parte da rotina da população. Normalmente, influencia a percepção sobre o desempenho do governo. Por isso, a gasolina se tornou um dos principais ativos políticos da Casa Branca, especialmente em um momento de pressão sobre o custo de vida.
Ao atribuir a possível redução dos preços às políticas de Trump, Burgum tenta antecipar o crédito por um movimento que ainda depende da evolução do mercado internacional de energia. Projeções independentes já indicavam uma tendência de queda ao se acompanhar o aumento da oferta mundial de petróleo. Assim, isso reduz o peso exclusivo das decisões do governo nesse processo.
Declaração amplia disputa entre republicanos e democratas
A recomendação para que motoristas abasteçam em estados republicanos amplia a estratégia política adotada pelo governo ao associar preços menores às administrações conservadoras. Na prática, porém, especialistas apontam que diferenças de tributação estadual, regras ambientais, estrutura de refino e custos logísticos explicam boa parte da variação dos preços entre diferentes regiões do país.
A promessa de uma queda da gasolina nos Estados Unidos passa, assim, a ser também um teste para o governo Trump. Se os preços realmente recuarem, a Casa Branca tende a fortalecer seu discurso econômico. Caso o petróleo volte a subir ou outros fatores pressionem os combustíveis, a expectativa criada pelo próprio governo poderá se transformar em um novo foco de cobrança sobre sua política energética.