Gasolina nos EUA pode voltar a US$ 3, mas promessa de Trump ainda depende do mercado

A gasolina nos EUA voltou ao centro da estratégia econômica de Donald Trump após a previsão de preços em US$ 3 por galão. A expectativa, porém, depende do mercado internacional e não apenas das decisões da Casa Branca.
Doug Burgum, secretário do Interior dos Estados Unidos, durante entrevista em que afirmou que a gasolina nos EUA pode voltar a US$ 3 por galão.
Doug Burgum afirmou que o preço da gasolina nos EUA pode cair para US$ 3 por galão, mas a expectativa ainda depende do comportamento do mercado internacional de petróleo.(Imagem:Steven Ferdman).

O secretário do Interior dos Estados UnidosDoug Burgum, afirmou na segunda-feira (29) que a gasolina nos EUA pode voltar rapidamente ao patamar de US$ 3 por galão. Isso aconteceria depois de o combustível superar US$ 4 nas bombas nas últimas semanas. Segundo ele, a redução seria favorecida pela maior oferta de petróleo. Além disso, as medidas adotadas pelo governo de Donald Trump ajudariam a ampliar a produção de energia.

A expectativa tem impacto direto sobre milhões de consumidores americanos, já que o combustível pesa no orçamento das famílias e influencia os custos de transporte e logística. Burgum também atribuiu parte desse cenário à flexibilização das sanções contra a Venezuela. Essa medida, segundo ele, amplia a oferta de petróleo no mercado internacional.

Embora a declaração tenha sido apresentada como um sinal de melhora econômica, não houve anúncio de medida que reduza imediatamente o preço da gasolina. O governo não anunciou cortes de impostos nem alterações regulatórias capazes de determinar uma queda automática nas bombas. O que existe é uma projeção baseada na evolução do mercado de petróleo.

A entrevista também levou o debate para o campo político. Burgum afirmou que moradores de estados governados por democratas deveriam abastecer em estados republicanos. Nesses estados, segundo ele, o combustível custa em média US$ 0,53 a menos por galão. Dessa forma, a discussão sobre energia vira mais um capítulo da polarização entre os dois partidos.

O que realmente pode fazer a gasolina cair nos Estados Unidos

A previsão apresentada pelo governo depende de fatores que vão além das decisões da Casa Branca. Nos Estados Unidos, o governo federal não define diretamente o preço da gasolina. O valor pago pelo consumidor resulta da combinação entre a cotação internacional do petróleo, custos de refino, transporte, impostos estaduais e margens das distribuidoras e postos.

Isso significa que uma eventual gasolina a US$ 3 por galão dependerá da continuidade da queda do petróleo e da manutenção da oferta global. Mesmo que Washington adote medidas para estimular a produção de energia, parte dos fatores que determinam o preço permanece fora do controle do governo americano.

Entre os principais elementos que influenciam o preço estão:

  • cotação internacional do petróleo;
  • capacidade de refino das usinas americanas;
  • impostos cobrados por cada estado;
  • custos de transporte e distribuição;
  • oferta global de petróleo, incluindo países da Opep+ e a Venezuela.

Por que Trump aposta tanto no preço da gasolina

O preço da gasolina é um dos indicadores econômicos mais visíveis para o eleitor americano. Diferentemente de dados como inflação ou crescimento do PIB, o combustível faz parte da rotina da população. Normalmente, influencia a percepção sobre o desempenho do governo. Por isso, a gasolina se tornou um dos principais ativos políticos da Casa Branca, especialmente em um momento de pressão sobre o custo de vida.

Ao atribuir a possível redução dos preços às políticas de Trump, Burgum tenta antecipar o crédito por um movimento que ainda depende da evolução do mercado internacional de energia. Projeções independentes já indicavam uma tendência de queda ao se acompanhar o aumento da oferta mundial de petróleo. Assim, isso reduz o peso exclusivo das decisões do governo nesse processo.

Declaração amplia disputa entre republicanos e democratas

A recomendação para que motoristas abasteçam em estados republicanos amplia a estratégia política adotada pelo governo ao associar preços menores às administrações conservadoras. Na prática, porém, especialistas apontam que diferenças de tributação estadual, regras ambientais, estrutura de refino e custos logísticos explicam boa parte da variação dos preços entre diferentes regiões do país.

A promessa de uma queda da gasolina nos Estados Unidos passa, assim, a ser também um teste para o governo Trump. Se os preços realmente recuarem, a Casa Branca tende a fortalecer seu discurso econômico. Caso o petróleo volte a subir ou outros fatores pressionem os combustíveis, a expectativa criada pelo próprio governo poderá se transformar em um novo foco de cobrança sobre sua política energética.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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