Ataque faz ONU suspender operação no Estreito de Ormuz e amplia tensão marítima

A Organização Marítima Internacional (OMI) suspendeu a retirada de navios no Estreito de Ormuz após um cargueiro ser atingido no Golfo de Omã. A decisão reacende dúvidas sobre a segurança da principal rota marítima do petróleo e amplia a tensão regional.
Navio de carga navega pelo Estreito de Ormuz após ataque que levou a ONU a suspender operação de retirada de embarcações.
Embarcação navega pelo Estreito de Ormuz após a Organização Marítima Internacional suspender temporariamente a operação de retirada de navios e tripulações na região.(Imagem:Getty Images).

A Organização Marítima Internacional (OMI), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), suspendeu nesta quinta-feira (25) a operação criada para retirar navios e tripulações do Estreito de Ormuz após um porta-contêineres ser atingido por um projétil durante a travessia do Golfo de Omã. A medida interrompe temporariamente uma iniciativa voltada a reduzir os riscos de navegação em uma das rotas comerciais mais estratégicas do mundo.

O incidente ocorreu quando a embarcação navegava a cerca de 13,9 quilômetros do porto de Dahit, em Omã. Segundo dois oficiais dos Estados Unidos ouvidos pela Reuters, sob condição de anonimato, o projétil teria sido disparado pelo Irã. Até o momento, a autoria do ataque não foi confirmada oficialmente, nem há informações conclusivas sobre a extensão dos danos ao navio.

A suspensão da operação representa um novo sinal de deterioração da segurança marítima na região. A missão havia sido iniciada para permitir que embarcações deixassem o Golfo por corredores considerados seguros, reduzindo a exposição de milhares de marinheiros às tensões militares que cercam o estreito.

Ao interromper a retirada, a OMI informou que voltará a verificar se as garantias de segurança que permitiram o início da operação continuam em vigor. Na prática, a decisão mostra que um único incidente foi suficiente para colocar sob reavaliação o corredor marítimo criado para reduzir os riscos de navegação na região.

Estreito de Ormuz volta ao centro da crise marítima

O secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, afirmou que foi informado sobre o ataque a uma embarcação que havia atravessado o Estreito de Ormuz e esclareceu que o navio atingido não integrava a operação coordenada pela agência.

Segundo Dominguez, a interrupção foi necessária para confirmar se permanecem válidas as condições de segurança que permitiram o início da retirada. Até a suspensão da iniciativa, 57 navios e aproximadamente 1.100 tripulantes haviam conseguido atravessar o estreito desde a última terça-feira (23).

Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais estratégicas para o comércio internacional, especialmente para o transporte de petróleo e derivados. Por isso, qualquer deterioração das condições de segurança na região costuma mobilizar autoridades marítimas, empresas de navegação e operadores do mercado internacional.

Irã reforça controle sobre as rotas de navegação

Após o incidente, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, criada pelo Irã para administrar a navegação na região, afirmou que apenas embarcações que utilizarem as rotas estabelecidas terão garantia de passagem segura.

O órgão declarou que proprietários, operadores e comandantes que optarem por trajetos não autorizados assumirão integralmente a responsabilidade pelas consequências de eventuais incidentes durante a travessia. A posição reforça o controle exercido por Teerã sobre a circulação de embarcações em um momento de elevada tensão internacional.

Mais cedo, a Guarda Revolucionária iraniana também afirmou que a navegação segura depende do cumprimento das rotas determinadas pelo país e advertiu que poderá adotar medidas contra embarcações que desrespeitarem essas orientações. O governo iraniano, no entanto, não comentou especificamente a acusação feita por autoridades americanas sobre o ataque ao cargueiro.

Operação segue sem previsão para ser retomada

A suspensão da operação da OMI não altera apenas o cronograma de retirada de embarcações e tripulações. Ela evidencia que as garantias de segurança negociadas para permitir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz voltaram a ser questionadas após o incidente registrado no Golfo de Omã.

Enquanto a agência da ONU reavalia as condições para retomar a iniciativa, permanece indefinido quando novas embarcações poderão voltar a utilizar o esquema organizado de retirada. A paralisação mantém tripulações e armadores em situação de incerteza e reforça que a navegação na principal rota marítima do Golfo continua condicionada às avaliações de segurança feitas pelas autoridades internacionais.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

Veja também

Mais lidas