O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao Governo do Ceará, afirmou nesta quinta-feira (25) que não assistiu e nem pretende assistir ao vídeo em que Michelle Bolsonaro (PL) criticou o apoio do PL Ceará à sua pré-candidatura ao governo estadual.
Ao comentar o caso, Ciro tratou a crise como um assunto interno do partido e disse que a discussão envolve questões mais amplas do que a política cearense. Além disso, a fala é a primeira manifestação pública do ex-ministro desde que seu nome virou o principal ponto de divergência entre Michelle e dirigentes do PL.
“Não vi o vídeo e nem vou ver. É uma questão do PL nacional e envolve coisas muito mais complexas do que a nossa paróquia aqui. Eu sigo aqui tranquilo. O eixo do nosso entendimento aqui é um projeto de emancipação do Ceará que nós consideramos que está sendo muito mal tratado”, declarou Ciro.
Ao classificar o episódio como uma questão do PL nacional, Ciro retirou sua manifestação do campo da disputa entre Michelle Bolsonaro e dirigentes do partido no Ceará. Assim, recolocou o debate em torno de sua pré-campanha ao governo estadual e do projeto político que defende para o estado.
Declaração de Ciro Gomes evita ampliar crise no PL
A declaração de Ciro Gomes ocorreu um dia após Michelle divulgar um vídeo em que afirmou ter sido desrespeitada, maltratada e humilhada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma conversa sobre a estratégia eleitoral do partido no Ceará.
No pronunciamento, Michelle afirmou que Jair Bolsonaro conhecia e apoiava sua posição contrária à aliança entre o PL e Ciro Gomes. Segundo ela, o partido deveria apoiar o senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao Governo do Estado e a vereadora Priscila Costa (PL) para o Senado.
Apesar de ter sido o personagem central da divergência sobre a aliança, Ciro não respondeu diretamente às críticas da ex-primeira-dama. O ex-ministro limitou o comentário ao campo partidário e afirmou que seguirá concentrado em sua agenda no Ceará.
Por que Ciro Gomes virou o centro da disputa no Ceará
A crise teve origem quando Michelle Bolsonaro criticou, durante um evento do PL Mulher em Fortaleza, a articulação conduzida pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE) para apoiar Ciro Gomes. Desde então, o ex-ministro passou a ocupar o centro de uma divergência interna sobre qual estratégia a direita deve adotar na eleição cearense.
Michelle sustenta que o PL deveria apoiar Eduardo Girão no primeiro turno e discutir uma eventual aproximação com Ciro apenas em um segundo momento. O PL estadual, porém, oficializou apoio ao ex-ministro em maio deste ano.
A disputa também alcança a composição para o Senado. Michelle afirma que a candidatura de Priscila Costa havia sido acordada com Jair Bolsonaro. Entretanto, André Fernandes articula a candidatura de seu pai, o deputado estadual Pastor Alcides (PL), para a vaga.
Reação de Ciro Gomes sobre Michelle muda o foco da crise
A reação de Ciro Gomes difere da postura adotada por integrantes do PL, que passaram a responder publicamente às declarações de Michelle. Enquanto o partido discute quem tinha respaldo de Bolsonaro para conduzir as negociações no Ceará, o ex-ministro buscou tratar a controvérsia como um problema externo à sua pré-campanha.
A fala separa, no discurso, sua candidatura da disputa interna do PL. Ainda assim, o nome de Ciro permanece no centro da crise. A aliança com ele é justamente o ponto contestado por Michelle e defendido por setores do partido no Ceará.
A declaração de Ciro não encerra a crise aberta no bolsonarismo, mas muda o foco do debate. Enquanto Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e André Fernandes seguem discutindo a condução da estratégia eleitoral do PL, o pré-candidato procura manter a campanha ao Governo do Ceará fora da disputa interna do partido. No entanto, seu nome continua no centro das divergências sobre a aliança.