O deputado federal André Fernandes, presidente do PL no Ceará, reagiu nesta quinta-feira (25) ao vídeo publicado por Michelle Bolsonaro (PL) na noite de quarta-feira (24) e transformou a negociação com Ciro Gomes (PSDB) em uma disputa pública sobre quem tem autoridade para falar em nome do bolsonarismo no estado.
Michelle afirmou que Jair Bolsonaro sabia e validava sua posição contrária à aliança com Ciro Gomes. Segundo ela, o grupo deveria apoiar o senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do Ceará e a vereadora Priscila Costa ao Senado, a quem Bolsonaro teria orientado a concorrer com o número partidário 222.
A resposta de André expôs o ponto mais sensível da crise: dois aliados do mesmo campo político passaram a apresentar versões diferentes sobre o respaldo de Bolsonaro para o palanque cearense. O impasse desloca a discussão de uma aliança regional para uma disputa de comando dentro da direita no Ceará.
Nas redes sociais, apoiadores passaram a questionar a autenticidade do vídeo de Michelle e alguns afirmaram que o conteúdo teria sido produzido por inteligência artificial. A manifestação, porém, foi divulgada pela própria ex-primeira-dama em seus canais oficiais, o que adicionou ruído informacional a uma crise já marcada por versões conflitantes.
André Fernandes vira centro da crise após resposta a Michelle
A resposta de André Fernandes ocorre após Michelle afirmar, no mesmo vídeo, que foi desrespeitada, maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma conversa sobre a estratégia eleitoral do PL no Ceará. A ex-primeira-dama também retomou as críticas feitas em Fortaleza, quando defendeu Eduardo Girão e rejeitou uma composição com Ciro Gomes no primeiro turno.
O deputado federal vinha sendo apontado como um dos principais articuladores da aproximação com Ciro Gomes, em uma composição que também poderia incluir seu pai, o deputado estadual Pastor Alcides (PL), como candidato ao Senado na chapa do psedebista, que poderia incluir o ex-deputado Capitão Wagner (União) ou o advogado Cândido Albuquerque (PSDB) Por isso, a fala de Michelle atingiu diretamente a autoridade regional de André dentro do partido.
A divergência se agravou porque os dois lados passaram a se apoiar no mesmo ponto de legitimidade: Jair Bolsonaro. Michelle afirma que o ex-presidente sabia de sua atuação e de sua posição contrária ao acordo; André sustenta que a negociação local tinha respaldo político.
Declaração de André eleva disputa no PL do Ceará
A declaração de André Fernandes tenta preservar a legitimidade da articulação feita no Ceará. Se a negociação com Ciro Gomes teve aval de Bolsonaro, a crítica de Michelle expõe falta de alinhamento interno. Se a versão de Michelle prevalece, André fica sob pressão por defender uma aliança contestada por uma das principais lideranças do bolsonarismo.
O impasse reúne quatro pontos centrais:
- André Fernandes defende a articulação estadual e sustenta que havia respaldo para negociar;
- Michelle Bolsonaro afirma que Bolsonaro sabia de sua posição e reforça apoio a Eduardo Girão;
- Ciro Gomes segue como fator de divisão pelo histórico de críticas a Jair Bolsonaro e aos filhos dele;
- A base bolsonarista reagiu nas redes com dúvidas, críticas e questionamentos sobre o vídeo.
A circulação de mensagens questionando a autenticidade da gravação acrescentou um novo elemento à crise política. Além disso, destacou a disseminação de dúvidas sem provas sobre um conteúdo publicado pela própria Michelle Bolsonaro. O ruído desloca parte do debate da aliança eleitoral para a credibilidade das versões apresentadas.
Posição de André Fernandes no Ceará pressiona estratégia do PL
A posição de André Fernandes no Ceará tem efeito além da política estadual. Isso ocorre porque a disputa local passou a interferir no ambiente da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O Ceará virou um teste sobre até onde o PL aceita ampliar alianças para enfrentar o PT. Isso ocorre sem romper com o discurso histórico do bolsonarismo.
Michelle defende que uma eventual aproximação com Ciro Gomes ocorra apenas em um segundo turno, sob o argumento de que o primeiro turno deveria preservar uma candidatura identificada com a direita, representada por Eduardo Girão. A divergência expõe uma disputa pelo comando político da direita no Ceará, entre a defesa de uma candidatura própria e a articulação por uma aliança mais ampla contra o PT.
André, por outro lado, representa a lógica da articulação estadual. A aposta na composição com Ciro busca ampliar competitividade contra o PT no Ceará. Contudo, cobra um preço político: aceitar uma aliança com um adversário que já atacou publicamente Bolsonaro e seus filhos.
Sem uma posição pública inequívoca de Jair Bolsonaro sobre o episódio mais recente, a crise permanece aberta entre duas versões apresentadas por aliados do mesmo campo político. Enquanto isso, a reação de André Fernandes transformou o caso em uma disputa por autoridade no PL do Ceará. Ele também manteve no centro do debate a pergunta sobre qual foi o aval dado por Bolsonaro à negociação com Ciro Gomes.