O advogado Cândido Albuquerque, ex-presidente da OAB Ceará e ex-reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), apresentou na TV J1 News Brasil os principais eixos de sua pré-candidatura ao Senado. Em entrevista conduzida por Jackson Pereira Jr., ele defendeu uma atuação mais ativa da Casa na fiscalização do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também propôs mudanças no sistema de Justiça e prioridade para o enfrentamento das facções criminosas.
A agenda exposta por Albuquerque busca posicioná-lo como um nome ligado à pauta institucional. O ex-reitor afirmou que o Senado perdeu protagonismo ao deixar de exercer competências constitucionais relacionadas à fiscalização de autoridades. Além disso, ele avaliou o acompanhamento de temas estratégicos para o país como função negligenciada.
A proposta também mira eleitores preocupados com segurança pública, desempenho da educação e funcionamento das instituições. Ao reunir esses temas em um mesmo discurso, o pré-candidato tenta ampliar seu alcance para além do debate jurídico. Com isso, busca construir uma candidatura associada à ideia de reforma institucional e fortalecimento dos mecanismos de controle.
O movimento ocorre em um momento de articulação antecipada para as eleições de 2026 no Ceará. Agora, partidos de oposição e grupos independentes começam a discutir possíveis candidaturas ao governo estadual e ao Senado.
Assista à entrevista completa de Cândido Albuquerque na TV J1 News Brasil:
Cândido Albuquerque Senado: a defesa de mudanças no STF e no sistema de Justiça
O ponto central da entrevista foi a crítica ao que Albuquerque considera uma redução do papel fiscalizador do Senado. Segundo ele, a Casa deveria exercer com maior intensidade atribuições previstas na Constituição relacionadas à análise de autoridades. Além disso, deveria acompanhar decisões que impactam a vida institucional do país.
Nesse contexto, o ex-presidente da OAB Ceará defendeu a discussão sobre mandatos para ministros do STF e mudanças na composição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Para ele, essas medidas poderiam ampliar mecanismos de controle institucional. Do mesmo modo, poderiam reduzir distorções percebidas pela sociedade.
Caso propostas dessa natureza fossem aprovadas pelo Congresso, o funcionamento dos tribunais superiores passaria por uma das maiores mudanças institucionais desde a Constituição de 1988. Por um lado, defensores afirmam que isso ampliaria a renovação dos quadros e mecanismos de controle. Por outro, críticos argumentam que alterações desse tipo poderiam aumentar pressões políticas sobre órgãos responsáveis pela guarda da Constituição.
Reforma do Judiciário aparece como eixo central da pré-candidatura
Além da pauta relacionada ao Supremo, Albuquerque apresentou uma agenda mais ampla voltada ao funcionamento do sistema de Justiça. O discurso busca associar sua experiência na advocacia e em entidades de classe à defesa de reformas estruturais.
Entre os temas citados durante a entrevista estão:
- Mandato para ministros dos tribunais superiores;
- Revisão de mecanismos de controle institucional;
- Mudanças na composição do CNJ;
- Debate sobre aperfeiçoamento do funcionamento do Judiciário.
Essas propostas têm impacto direto porque o Senado participa da aprovação de ministros dos tribunais superiores. Além disso, analisa autoridades indicadas para cargos estratégicos e pode deliberar sobre mudanças constitucionais relacionadas à estrutura do sistema de Justiça.
A estratégia também diferencia sua eventual candidatura de discursos focados exclusivamente em pautas locais. Assim, aproxima o debate de temas nacionais que costumam mobilizar forte interesse político e jurídico. Esses temas têm potencial de influenciar a agenda legislativa nos próximos anos.
Educação e segurança ampliam o alcance político da plataforma
Durante a entrevista, Albuquerque também direcionou críticas ao cenário educacional brasileiro. O ex-reitor questionou indicadores de desempenho do país, citou problemas relacionados à evasão escolar e fez críticas a programas federais voltados à permanência de estudantes.
Ao falar sobre sua passagem pela UFC, destacou resultados acadêmicos, crescimento de registros de patentes e posições alcançadas pela universidade em rankings nacionais e internacionais. Os resultados mencionados durante a entrevista dependem de comparação documental com séries históricas da instituição e com os rankings citados pelo ex-reitor.
Na área de segurança pública, o tom foi mais contundente. Albuquerque afirmou que o avanço das facções criminosas representa um dos principais desafios do Ceará e defendeu uma atuação mais firme do poder público para enfrentar organizações que atuam dentro e fora dos presídios.
Durante a entrevista, o ex-reitor também afirmou que organizações criminosas exercem influência sobre estruturas municipais em algumas regiões do estado. Ele apresentou essa avaliação como justificativa para defender maior prioridade federal ao combate ao crime organizado. O tema tem forte potencial eleitoral porque permanece entre as principais preocupações da população cearense.
A entrevista também abordou o caso Banco Master. Sobre o assunto, Albuquerque defendeu transparência e investigações sem distinção entre agentes do Executivo, Legislativo ou Judiciário. Ele sustentou que o combate a eventuais irregularidades deve seguir critérios uniformes independentemente do cargo ocupado pelos investigados.
Com a exposição pública de suas propostas na TV J1 News Brasil, Cândido Albuquerque deixa de aparecer apenas como possível candidato e passa a apresentar uma plataforma política estruturada. O próximo desafio será transformar as diretrizes apresentadas em propostas legislativas concretas. Também será preciso medir sua capacidade de ocupar espaço na disputa pelo Senado no Ceará em 2026, em um cenário que promete intensa disputa entre governo, oposição e forças políticas independentes.