Troca de ameaças entre Irã e EUA amplia crise após Trump declarar fim da trégua

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante declaração sobre o Irã na cúpula da Otan, em Ancara.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou durante a cúpula da Otan, em Ancara, que considera encerrado o memorando de entendimento com o Irã.(Imagem:Win McNamee/Getty Images via CNN Newsource).

A troca de declarações entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (8), depois que o presidente norte-americano Donald Trump afirmou considerar encerrado o memorando de entendimento firmado em junho. A resposta de autoridades iranianas veio poucas horas depois e elevou novamente o tom do confronto diplomático, enquanto os dois países seguem envolvidos em ações militares no Oriente Médio.

O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano reagiu às declarações de Trump em uma publicação na rede social X. Ao comentar uma possível ofensiva americana, afirmou que o Irã está preparado e declarou que “nenhum soldado americano voltará vivo”, caso os Estados Unidos decidam atacar o país.

Também nesta quarta-feira, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, classificou Trump como “criminoso e assassino”. Segundo o diplomata, as novas ameaças dos Estados Unidos demonstram o fracasso da política baseada em sanções, pressão militar e intimidação, estratégia que, na avaliação do governo iraniano, não conseguiu alterar a posição de Teerã.

Trump afirma que negociação perdeu sentido

Durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, na Turquia, Trump afirmou que, para ele, o memorando firmado entre Washington e Teerã deixou de ter efeito.

O presidente norte-americano declarou que pretende conversar com seus negociadores, mas afirmou considerar uma perda de tempo seguir discutindo com o governo iraniano. Em seguida, voltou a atacar as autoridades do país, acusando-as de agir de má-fé e afirmando que o Irã representa uma ameaça caso venha a desenvolver armas nucleares.

Antes dessas declarações, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, já havia acusado os Estados Unidos de violarem o memorando assinado em 18 de junho. Em comunicado, o chanceler afirmou que a decisão de Washington representa uma “violação flagrante” do entendimento e criticou o que chamou de falta de confiabilidade do governo americano.

Ataques militares acompanham o aumento da tensão

Enquanto os dois governos trocavam acusações, os confrontos militares também voltaram a se intensificar.

Na terça-feira (7), o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter bombardeado mais de 80 alvos iranianos, alegando responder a supostos ataques contra três embarcações comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz.

Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã informou ter realizado uma operação com mísseis e drones contra instalações militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait. Segundo comunicado divulgado pela própria Guarda Revolucionária, 85 instalações estratégicas dos Estados Unidos foram atingidas na ação, apresentada por Teerã como a resposta inicial aos bombardeios americanos.

As novas declarações e a retomada das ofensivas militares mostram que o ambiente criado pelo memorando de entendimento firmado em junho perdeu força. Com isso, a continuidade das negociações entre Washington e Teerã passa a depender dos próximos movimentos políticos e militares dos dois países, em um cenário que mantém o Oriente Médio sob forte tensão.

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Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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