A declaração da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) sobre ataques contra bases militares dos Estados Unidos elevou a preocupação com uma possível ampliação do conflito no Oriente Médio. Segundo o grupo, foram atingidas quatro instalações militares americanas — duas no Kuwait e duas no Bahrein — em resposta aos bombardeios realizados pelos EUA contra alvos iranianos horas antes. Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação independente sobre os impactos informados pelo Irã.
Em comunicado, a IRGC afirmou que a operação integra a resposta aos ataques autorizados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e advertiu que outras bases militares americanas instaladas na região também poderão ser alvo caso Washington volte a atacar o território iraniano.
A ameaça amplia o alcance da crise porque os Estados Unidos mantêm instalações militares em diversos países do Oriente Médio. Segundo a Guarda Revolucionária, essas bases passam a integrar a estratégia de resposta iraniana, o que aumenta o risco de que novos confrontos ultrapassem o território dos dois países e atinjam aliados de Washington na região.
Bases americanas entram na estratégia iraniana
Horas antes do anúncio da retaliação, o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom)informou ter realizado uma nova operação contra alvos ligados ao Irã.
Segundo o governo americano, a ofensiva teve como objetivo reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte mundial de petróleo. Washington também acusa Teerã de promover ataques contra embarcações comerciais que circulam pela região. O governo iraniano nega essas acusações.
Trump endurece discurso, mas cita tentativa de negociação
Após os bombardeios, Donald Trump afirmou que o memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã em junho, que estabelecia um cessar-fogo provisório, “acabou”. O presidente americano também declarou que qualquer novo ataque iraniano provocará uma resposta militar ainda mais intensa.
Apesar do discurso, Trump disse que representantes iranianos procuraram Washington para tentar retomar as negociações.
“Eles ligaram há pouco tempo, querem muito fechar um acordo. Só não sei se eles são dignos de um acordo”, declarou o presidente durante o retorno da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, na Turquia.
Nas últimas semanas, as divergências entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano, as sanções econômicas e a segurança no Estreito de Ormuz voltaram a aumentar. O rompimento do cessar-fogo provisório e a troca de ameaças entre os dois governos reforçam o cenário de incerteza sobre os próximos desdobramentos da crise no Oriente Médio.