A entrada em vigor da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros abriu uma nova fase na relação comercial entre os dois países. Nesta quarta-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil continuará negociando com o governo norte-americano, mas também vai ampliar a busca por novos mercados para reduzir os prejuízos às empresas exportadoras.
Segundo Lula, o governo brasileiro apresentou propostas para tentar evitar a sobretaxa, mas não encontrou reciprocidade nas negociações com os Estados Unidos. Ainda assim, o presidente afirmou que o diálogo continuará aberto.
“Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos e propostas. A gente nunca encontrou reciprocidade na conversa”, declarou.
Tarifa continua valendo enquanto negociações seguem
Na prática, a tarifa de 25% permanece em vigor mesmo com as negociações em andamento. Isso significa que as empresas brasileiras atingidas continuam sujeitas à cobrança adicional até que os dois países cheguem a um eventual acordo comercial.
Diante desse cenário, Lula afirmou que o governo adotará uma estratégia em duas frentes: manter as conversas diplomáticas com Washington e, ao mesmo tempo, estimular a abertura de novos mercados para reduzir a dependência das exportações destinadas aos Estados Unidos.
“Não vamos ficar chorando produtos que a gente não vendeu para eles, porque nós vamos procurar outros compradores”, afirmou o presidente.
A sobretaxa foi confirmada pelo governo de Donald Trump após uma investigação concluir que o Brasil adota práticas consideradas restritivas ao comércio americano. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos Pix e a regulação das plataformas digitais.
Governo libera R$ 18,5 bilhões para empresas afetadas
Além de manter a negociação diplomática, o governo anunciou um pacote de apoio financeiro para minimizar os efeitos da medida sobre a economia brasileira.
Foram liberados R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para empresas afetadas pelas tarifas dos Estados Unidos, além de setores considerados estratégicos e exportadores prejudicados pela guerra no Oriente Médio.
Entre os segmentos contemplados estão:
- aço;
- alumínio;
- indústria automotiva;
- madeira;
- máquinas e equipamentos;
- fertilizantes;
- setor farmacêutico;
- indústria têxtil;
- minerais críticos.
Lula também sancionou a lei que libera R$ 15 bilhões para ampliar o Plano Brasil Soberano, expandindo as linhas de financiamento criadas para apoiar empresas afetadas pelas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Governo avalia novas medidas para exportadores
O anúncio foi feito um dia após o governo federal iniciar reuniões com representantes dos setores mais afetados pelo tarifaço. O objetivo é acompanhar os impactos da nova cobrança e identificar necessidades de apoio às empresas.
Segundo o Planalto, outras medidas poderão ser anunciadas caso os exportadores encontrem dificuldades para manter o fluxo de vendas ao exterior. Enquanto isso, a tarifa de 25% segue em vigor, e o governo aposta na combinação entre negociação diplomática, crédito às empresas e diversificação dos mercados compradores para reduzir os efeitos da medida sobre a economia brasileira.