A entrada do advogado Fabio Pagnozzi na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados chama atenção não apenas pelo patrimônio declarado, mas também pelo papel que desempenhou em um dos casos políticos de maior repercussão dos últimos anos. Responsável pela defesa da ex-deputada Carla Zambelli (PL), ele oficializou a candidatura pelo Partido Novo em São Paulo e informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possuir R$ 5,68 milhões em bens.
A maior parte desse patrimônio está concentrada em quatro participações societárias avaliadas em R$ 2,87 milhões, indicando que sua principal fonte de riqueza está ligada à atividade empresarial, e não apenas ao exercício da advocacia. Além disso, Pagnozzi declarou outros bens e direitos de R$ 1,1 milhão, dois apartamentos avaliados em R$ 215 mil e R$ 1,2 milhão, um veículo de R$ 53 mil e R$ 240 mil em joias, obras de arte, itens de coleção e antiguidades.
A declaração patrimonial é uma exigência da Justiça Eleitoral para todos os candidatos e tem como objetivo ampliar a transparência do processo eleitoral. Os valores são informados pelos próprios candidatos e podem ser consultados por qualquer eleitor, permitindo comparar a evolução patrimonial de agentes públicos ao longo do tempo.
Embora esteja iniciando sua trajetória eleitoral, Fabio Pagnozzi já é um nome conhecido nos bastidores da política nacional. Ele assumiu a defesa de Carla Zambelli em processos que ganharam repercussão nacional, especialmente após as condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a prisão da ex-deputada na Itália.
Nesta eleição, o cenário ganha um ingrediente político adicional. Pagnozzi disputará votos diretamente com integrantes da família Zambelli. Rita Zambelli, mãe da ex-deputada, concorre a deputada federal pelo PL em São Paulo, enquanto Bruno Zambelli tenta a reeleição para a Assembleia Legislativa paulista pelo mesmo partido. A situação coloca, pela primeira vez, o principal advogado de Carla e seus familiares em campanhas simultâneas, mas por legendas diferentes.
Carla Zambelli chegou a ser a segunda deputada federal mais votada de São Paulo em 2022, com 946.224 votos, tornando-se a terceira parlamentar mais votada do Brasil naquele pleito. Depois, porém, sua trajetória política mudou de rumo. Ela foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão e à perda do mandato por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em outro processo, recebeu pena de 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
Após deixar o Brasil, Carla foi presa na Itália e atualmente responde a dois processos de extradição. No caso relacionado à invasão dos sistemas do CNJ, a Justiça italiana rejeitou o pedido brasileiro. Já no processo referente ao porte ilegal de arma de fogo, a Corte de Cassação de Roma suspendeu temporariamente a extradição e determinou uma nova análise, após levantar dúvidas sobre as condições de assistência médica no sistema prisional brasileiro.
Além do valor patrimonial, a candidatura de Fabio Pagnozzi coloca em evidência a transição de um personagem conhecido pela atuação jurídica para a disputa direta por um cargo eletivo. Com a campanha em andamento, sua declaração de bens e sua ligação com um dos casos políticos mais comentados do país tendem a ampliar a visibilidade de sua candidatura, enquanto os eleitores poderão acompanhar e comparar as informações patrimoniais divulgadas pelos candidatos durante todo o processo eleitoral.