Trump diz que está pronto para lançar maior ataque contra o Irã desde o início da guerra

Donald Trump afirmou que está perto de decidir uma ofensiva militar maior contra o Irã, após novas baixas de soldados americanos e ataques dos Houthis no Mar Vermelho. A declaração aumenta a tensão no Oriente Médio e reforça preocupações sobre impactos no comércio internacional e nos preços do petróleo.
Donald Trump durante declaração em que afirmou considerar uma ofensiva militar de maior escala contra o Irã.
Trump disse que está próximo de decidir uma nova ofensiva militar contra o Irã, enquanto aumenta a tensão no Oriente Médio.(Imagem:Saul Loeb/Pool – Getty Images).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (23) que está muito próximo de decidir uma nova ofensiva militar de grande escala contra o Irã, em um movimento que pode ampliar o conflito no Oriente Médio e aumentar a pressão sobre os mercados globais. Caso a operação seja autorizada, ela deverá superar a intensidade da Operação Epic Fury, realizada no início deste ano.

Em entrevista ao site Axios, Trump declarou que o Irã “ainda não sentiu dor suficiente” e afirmou que considera um ataque “maior do que qualquer outro antes”. Segundo o presidente, a decisão está próxima e os preparativos já foram concluídos. Trump também disse que Israel participaria da ofensiva “em dois minutos” caso fosse solicitado, embora tenha afirmado que os Estados Unidos não precisariam do apoio de outros países.

Mortes de militares aumentam pressão por uma resposta dos EUA

A declaração ocorre em meio ao agravamento da guerra entre Estados Unidos e Irã. Na quarta-feira (22), Trump participou da cerimônia de repatriação dos corpos de militares americanos mortos nos confrontos mais recentes, reforçando o discurso de endurecimento contra Teerã.

Segundo informações divulgadas pelo governo americano, o conflito já consumiu pelo menos US$ 37,5 bilhões dos cofres públicos, além de provocar a morte de 18 militares dos Estados Unidos e deixar mais de 450 soldados feridos. Apenas desde o último fim de semana, dois ataques distintos deixaram três militares americanos mortos e um desaparecido no Oriente Médio.

Na segunda-feira (20), Trump já havia elevado o tom ao afirmar que o Irã pagaria “muitas vezes mais” caso novos combatentes americanos fossem mortos. Apesar de voltar a dizer que Teerã deseja negociar, o presidente afirmou que o governo iraniano ainda não está disposto a aceitar um acordo.

Ataques dos Houthis ampliam o risco para o comércio mundial

Além do confronto direto entre Estados Unidos e Irã, a tensão aumentou após o grupo extremista Houthis atacar dois navios comerciais sauditas no Mar Vermelho. Em resposta, Trump prometeu uma “punição militar severa” tanto aos Houthis quanto ao Irã caso novas ofensivas contra embarcações ocorram.

O grupo extremista também anunciou um embargo marítimo contra a Arábia Saudita e voltou a ameaçar fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais rotas marítimas do planeta. O corredor liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é estratégico para o transporte de petróleo e mercadorias entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa. Qualquer interrupção na região pode provocar atrasos logísticos e elevar os custos do comércio internacional.

A escalada das tensões já teve reflexos no mercado de energia. O preço do petróleo voltou a superar US$ 100 por barril, diante do receio de que um conflito mais amplo comprometa o fornecimento da commodity e pressione a inflação em diversos países.

O que acontece agora

Até o momento, os Estados Unidos ainda não autorizaram uma nova ofensiva militar, e Trump afirmou apenas que avalia essa possibilidade. A eventual participação de Israel também dependerá da decisão americana e da evolução do conflito.

Nos próximos dias, a atenção da comunidade internacional estará voltada para três fatores: a decisão de Trump sobre um novo ataque, a resposta do governo iraniano e o comportamento dos Houthis no Mar Vermelho. Esses desdobramentos poderão definir se a guerra entra em uma fase ainda mais ampla e se haverá novos impactos sobre o comércio internacional, o transporte marítimo e os preços da energia.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

Veja também

Mais lidas