Lula defende reforço das Forças Armadas após tarifas de Trump contra o Brasil

Lula visitou a Avibras Aeroco e defendeu investimentos nas Forças Armadas e na indústria nacional de defesa. A agenda ocorre durante a retomada das operações da fabricante e em meio às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita à fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), onde defendeu investimentos nas Forças Armadas e na indústria nacional de defesa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita a fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), durante agenda em que defendeu investimentos nas Forças Armadas e no fortalecimento da indústria nacional de defesa.(Imagem:Instagram).

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), nesta sexta-feira (24), foi além de uma agenda institucional. Ao escolher uma das empresas mais tradicionais da indústria brasileira de defesa para seu discurso, o presidente reforçou a importância de manter capacidade nacional para desenvolver equipamentos militares em um momento de maior tensão comercial e geopolítica. A recuperação da fabricante dá um novo significado à visita, ligando a política industrial à estratégia de defesa do país.

Conhecida pelo desenvolvimento do Sistema Astros, plataforma de lançadores de foguetes utilizada pelas Forças Armadas brasileiras e exportada para outros países, a Avibras enfrentou uma grave crise financeira nos últimos anos. Após um longo período de paralisação, a empresa retomou as operações industriais em 2026, voltando a participar de projetos considerados estratégicos para a Base Industrial de Defesa brasileira. A presença de Lula ocorre justamente nesse momento de retomada, sinalizando apoio do governo a um setor visto como estratégico para a soberania nacional.

O debate sobre o fortalecimento da indústria de defesa também ocorre em um cenário de grande diferença de investimentos militares entre as potências globais e o Brasil. Enquanto os Estados Unidos mantêm o maior orçamento de defesa do mundo, com recursos destinados à modernização constante de equipamentos e tecnologias, o orçamento brasileiro é significativamente menor e tem grande parte comprometida com despesas de pessoal. Isso reduz a capacidade de investir em novos sistemas e amplia a importância de empresas nacionais como a Avibras para o desenvolvimento tecnológico do setor.

Durante a visita, Lula afirmou que o Brasil precisa investir em armamentos, conhecimento científico e tecnologia para garantir que o país tenha capacidade de proteger seu território e seus interesses.

“Quero as Forças Armadas com armamento e conhecimento científico e tecnológico para que a gente possa andar de cabeça erguida, sem nenhuma arrogância, falando em paz. Mas preparado para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país”, afirmou.

A declaração ocorre poucos dias após os Estados Unidos ampliarem as tarifas sobre produtos brasileiros. As novas medidas elevaram para até 37,5% a carga tarifária aplicada sobre determinados produtos do Brasil, resultado da soma de duas cobranças adicionais.

Uma das tarifas é de 25%, sob a alegação de práticas comerciais consideradas desleais e de vantagens relacionadas ao desmatamento. A outra, de 12,5%, foi aplicada sob a justificativa de que o Brasil não combate de forma efetiva o trabalho forçado em cadeias produtivas. O governo brasileiro rejeitou as acusações, classificou as medidas como “completamente arbitrárias e injustificadas” e informou que poderá recorrer aos instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade.

Além do cenário externo, Lula defendeu que a política de Defesa precisa considerar a proteção de minerais críticos e terras raras, recursos considerados estratégicos para a produção de tecnologias avançadas, equipamentos eletrônicos e sistemas militares.

Ao justificar os investimentos, o presidente comparou o papel das Forças Armadas ao de um seguro, afirmando que sua importância costuma ser percebida apenas quando surgem situações de risco.

“As Forças Armadas são que nem Deus. Você pode não acreditar, mas a primeira vez que tiver dor de barriga vai dizer: ‘ai, meu Deus’. As Forças Armadas são a mesma coisa.”

A escolha da Avibras para esse discurso reforça um movimento do governo de associar a recuperação da indústria nacional de defesa à proteção da soberania brasileira. Mais do que fabricar equipamentos militares, empresas como a Avibras concentram conhecimento tecnológico, engenharia especializada e capacidade produtiva considerados estratégicos para reduzir a dependência externa em um cenário internacional cada vez mais marcado por disputas comerciais e geopolíticas. Esse contexto ajuda a explicar por que a retomada da companhia ganhou importância também no debate sobre desenvolvimento industrial e segurança nacional.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

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