A volta da missão Artemis II à Terra nesta sexta-feira (10) coloca quatro astronautas diante de um dos momentos mais perigosos da exploração espacial moderna. Isso porque a reentrada pode definir, em poucos minutos, o sucesso ou o fracasso de toda a missão.
Após percorrer centenas de milhares de quilômetros no espaço, a cápsula Orion precisa atravessar a atmosfera terrestre em condições extremas. Nesse cenário, qualquer erro mínimo pode ter consequências fatais.
A descida da Orion exige precisão absoluta. Antes da reentrada, a tripulação realiza ajustes finos de trajetória para garantir o ângulo correto. Além disso, a margem de erro é mínima — cerca de um grau — o que aumenta ainda mais o nível de risco.
Se a cápsula entrar inclinada demais, o calor pode destruir a estrutura. Por outro lado, se o ângulo for alto, a nave pode “ricochetear” e voltar ao espaço.
Ou seja, trata-se de um erro mínimo com potencial fatal.
Calor extremo e velocidade fora do padrão humano
No momento da reentrada, a Orion ultrapassa 40 mil km/h. Como resultado, a compressão do ar eleva a temperatura externa para cerca de 2.700°C .
Nesse estágio, o escudo térmico assume papel central. Ele absorve e dissipa o calor gerado pelo atrito com a atmosfera.
Por isso, qualquer falha estrutural pode permitir a entrada de calor extremo na cápsula. Nesse ponto, não existe margem para correção.
Blackout total isola cápsula no momento crítico
Além do calor, outro fator aumenta a tensão: a perda total de comunicação. Cerca de 24 segundos após o início da reentrada, a cápsula entra em blackout por até seis minutos .
Isso acontece porque o plasma formado ao redor da nave bloqueia os sinais de rádio.
Como consequência, a Orion fica completamente isolada. Durante esse período, os sistemas da nave precisam funcionar sem qualquer intervenção externa.
Escudo térmico ainda levanta dúvidas após falha anterior
O risco ganha peso adicional por causa do histórico recente da própria missão. Na Artemis I, realizada em 2022, o escudo térmico apresentou rachaduras e perda de material após a reentrada.
Diante disso, a NASA abriu uma investigação para entender as falhas.
Agora, embora a agência afirme que ajustou o sistema — principalmente o ângulo de entrada —, a preocupação continua. Esse fator mantém o escudo térmico como o ponto mais sensível da missão.
Desaceleração exige precisão até o último segundo
Depois da fase mais crítica, a Orion precisa reduzir drasticamente a velocidade. Primeiro, a própria atmosfera funciona como freio natural.
Em seguida, a cápsula aciona paraquedas de desaceleração a cerca de 6,7 km de altitude. Com isso, a velocidade cai para pouco mais de 300 km/h. Logo depois, entram os paraquedas principais, reduzindo a queda para cerca de 32 km/h até o pouso .
Mesmo assim, o risco não desaparece. A cápsula pode cair em posições instáveis, o que exige o acionamento de airbags para reposicionamento.
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Momento decisivo da missão Artemis II
A reentrada não representa apenas o fim da viagem. Na prática, ela funciona como o teste mais crítico de toda a missão.
Isso porque, mesmo após completar o trajeto ao redor da Lua, o sucesso depende desses minutos finais.
Se tudo ocorrer como planejado, a cápsula pousa no Oceano Pacífico por volta das 21h, com equipes de resgate prontas para agir.
No entanto, até lá, os minutos finais concentram o maior risco de toda a missão — justamente quando a Terra já está à vista.