Empresa do jatinho de Cláudio Castro aparece em investigação ligada a Vorcaro

Cláudio Castro usou jatinho ligado a Daniel Vorcaro em viagem à Libertadores. PF investiga estrutura empresarial ligada ao empresário, preso por suspeita de fraude e lavagem, e conexões com ativos usados por autoridades.
Cláudio Castro e Daniel Vorcaro em imagem combinada sobre caso do jatinho ligado à investigação
Cláudio Castro usou jatinho ligado a empresa associada a Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal. Fotos: Fernando Frazão/Agência Brasil ; Reprodução/Banco Master

O uso de um jatinho pelo ex-governador Cláudio Castro na viagem à final da Libertadores, em novembro de 2025, ganhou novo peso após a Polícia Federal (PF) apontar que a aeronave está inserida em uma rede empresarial ligada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master preso por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro. O caso expõe como estruturas societárias podem conectar ativos de luxo a investigações criminais em curso.

A viagem em si é apenas a superfície de um cenário mais complexo. O avião utilizado pelo então governador do Rio de Janeiro era administrado pela Prime Aviation Táxi Aéreo, empresa que aparece vinculada, direta ou indiretamente, a Vorcaro.

A Polícia Federal afirma que a estrutura da Prime não pode ser analisada de forma isolada e aponta que a empresa integra uma rede maior de ativos e participações cruzadas que pode ter sido usada para dispersar patrimônio e dificultar a identificação dos verdadeiros donos.

Como a empresa do jatinho de Cláudio Castro se conecta à estrutura de Vorcaro

A Prime Aviation tem entre seus sócios Arthur Martins de Figueiredo, personagem central nas apurações. Ele também atuava como diretor de fundos da gestora Trustee DTVM, outro elo dentro da engrenagem financeira investigada.

Mensagens apreendidas pela PF no celular de Figueiredo indicam, segundo os investigadores, que o beneficiário final das operações seria Vorcaro. A suspeita é que Figueiredo atuava na gestão e movimentação de recursos ligados ao empresário.

Investigadores apontam que esse tipo de estrutura, com múltiplas empresas e intermediários, dificulta o rastreamento de patrimônio.

Venda da empresa e suspeita de ocultação

Vorcaro deixou formalmente a sociedade da Prime em setembro de 2025, dois meses antes da viagem de Castro ao Peru. A PF, no entanto, trabalha com a hipótese de que a saída tenha sido apenas formal.

As investigações indicam que uma gestora com vínculos com o próprio Master recebeu a participação. Para os investigadores, isso pode indicar uma tentativa de ocultar bens sem perder o controle sobre eles.

Na prática, o modelo permitiria que ativos continuassem sendo utilizados por pessoas próximas ao núcleo investigado, mesmo após mudanças formaais na estrutura societária.

O papel do jatinho no caso

O uso da aeronave por Castro insere o episódio político em um contexto mais amplo, o de circulação de ativos ligados a uma rede sob investigação federal.

O voo ocorreu em 28 de novembro de 2025 e transportou 12 passageiros. Entre eles estavam o então governador, a primeira-dama, o advogado Willer Tomaz, apontado como proprietário da aeronave, o senador Weverton Rocha e familiares.

Willer afirmou ser cliente da Prime e declarou desconhecer tanto Arthur Martins quanto Vorcaro. Também informou que está vendendo sua participação na empresa responsável pelo avião por causa da exposição do caso.

Castro disse que viajou a convite do advogado e que nunca teve contato com a estrutura empresarial investigada. Segundo ele, conhecia Vorcaro apenas de eventos internacionais e nunca tratou de assuntos relacionados ao Banco Master.

Estrutura empresarial e alcance da investigação

A Operação Quasar e a Operação Compliance Zero identificaram que empresas como a Prime podem integrar um sistema mais amplo, envolvendo setores como aviação, mercado financeiro e combustíveis.

O objetivo das apurações é mapear como essas estruturas operavam e se houve uso coordenado de empresas para movimentar recursos, ocultar patrimônio e manter influência econômica.

Investigadores consideram relevante a presença de ativos de alto valor, como aeronaves, nesse sistema, porque eles permitem mobilidade, acesso e eventual benefício indireto.

O contexto político amplia o impacto

Embora a investigação tenha foco financeiro, o episódio também ganha dimensão política. Ele envolve um ex-governador condenado por abuso de poder econômico e declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Durante sua gestão, o governo do Rio de Janeiro realizou aportes de aproximadamente R$ 1,2 bilhão no Banco Master, sendo R$ 1 bilhão via RioPrevidência e cerca de R$ 200 milhões pela Cedae.

Castro nega qualquer relação entre os investimentos e a viagem ou com a estrutura empresarial ligada a Vorcaro.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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