PIB do Brasil no 4º trimestre mantém alta, mas investimento recua

O PIB do Brasil no 4º trimestre cresceu 0,1%, com queda nos investimentos e recuo da indústria. Em 2025, a economia avançou 2,3%, sustentada por agro e serviços, enquanto a taxa de investimento caiu para 16,8% do PIB. Saiba mais.
PIB do Brasil no 4º trimestre divulgado pelo IBGE em 2025
IBGE divulga resultado do PIB do Brasil no 4º trimestre de 2025 (Foto: reprodução)

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no 4º trimestre de 2025 teve alta de 0,1%, é o que apontam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta terça-feira (03/02). Além disso, segundo o apontamento do IBGE, a economia cresceu 1,8% em relação ao mesmo período de 2024, enquanto os investimentos encolheram 3,5% na comparação trimestral.

O número mostra que o PIB do Brasil no 4º trimestre terminou o ano sem impulso adicional. Serviços (0,8%) e agropecuária (0,5%) sustentaram o resultado, mas a indústria caiu 0,7% e limitou a expansão. A fotografia do período, porém, expõe um crescimento apoiado em poucos vetores.

PIB do Brasil no 4º trimestre e o freio nos investimentos

Pela ótica da despesa, o PIB do Brasil no 4º trimestre refletiu a retração da Formação Bruta de Capital Fixo, que caiu 3,5% frente ao trimestre anterior. O consumo das famílias ficou em 0,0%, enquanto o consumo do governo avançou 1,0%.

A indústria foi pressionada pela queda da construção (-2,3%) e das indústrias de transformação (-0,6%). Em sentido oposto, indústrias extrativas cresceram 1,1% e eletricidade e gás avançaram 1,5%. Além do impacto imediato, surge uma questão sobre a trajetória do investimento produtivo.

No acumulado de 2025, o país registrou crescimento de 2,3%, com PIB em valores correntes de R$ 12,7 trilhões. Ainda assim, o comportamento do PIB do Brasil no 4º trimestre mostra que o ritmo perdeu intensidade no encerramento do ciclo anual.

Agro e serviços sustentam o PIB

O crescimento de 2025 não se distribuiu de forma uniforme entre os setores. A expansão concentrou-se em atividades menos sensíveis ao ciclo de juros, enquanto consumo e investimento mostraram desaceleração ao longo do ano. Nesse contexto, os dados se organizam da seguinte forma:

  • Agropecuária (+11,7%): desempenho puxado por ganhos de produtividade e recordes de produção. O milho avançou 23,6% e a soja cresceu 14,6%, consolidando o setor como principal vetor do ano.
  • Serviços (+1,8%): crescimento disseminado, com maior contribuição de informação e comunicação (6,5%) e atividades financeiras (2,9%).
  • Consumo das famílias (+1,3%): manteve expansão, porém em ritmo inferior aos 5,1% de 2024, refletindo ambiente de crédito mais restrito e juros elevados.
  • Taxa de investimento (16,8% do PIB): recuo marginal frente a 2024 (16,9%), sinalizando perda de intensidade na formação de capital no que se refera ao PIB do Brasil no 4º trimestre
  • Taxa de poupança (14,4%): leve alta em relação aos 14,1% do ano anterior, em meio ao ajuste das decisões de gasto.

Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, categorias como agropecuária, indústrias extrativas, informação e comunicação e outras atividades de serviços responderam por 72% do valor adicionado e sofreram menor impacto da política monetária restritiva.

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PIB do Brasil no 4º trimestre ficou em linha com o mercado

As projeções coletadas pela Reuters já indicavam alta de 0,1% no trimestre e de 1,8% na comparação anual. O PIB do Brasil no 4º trimestre confirmou exatamente esses números, afastando surpresas e mantendo inalterado o cenário traçado pelo mercado financeiro.

A estabilidade frente ao terceiro trimestre ocorreu mesmo com a queda dos investimentos. Segundo Rebeca Palis, o consumo das famílias permaneceu estável e o gasto público avançou, compensando parte da retração na formação de capital. O resultado mostrado pelo IBGE, portanto, reforça que o crescimento de 2025 terminou sustentado por setores menos sensíveis aos juros, enquanto indústria e investimento perderam fôlego.

Foto de Moises Freire Neto

Moises Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista, formado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação focada em economia, mercado de trabalho, indústria e políticas públicas. Integra as equipes editoriais do J1 e do Economic News Brasil, veículos do Sistema BNTI de Comunicação. Sua produção é voltada à análise de dados, decisões institucionais e impactos econômicos, com abordagem crítica, rigor factual e interesse público.

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