O desembargador desaparecido Alcides Martins Ribeiro Filho, integrante do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), não é visto desde abril no Rio de Janeiro. A Polícia Civil tenta reconstruir os últimos deslocamentos conhecidos do magistrado.
A apuração conduzida pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) busca esclarecer lacunas sobre o paradeiro do desembargador e sobre o que ocorreu antes da perda de contato.
Com isso, o caso ganhou dimensão institucional por envolver um integrante da Justiça Federal. O TRF-2 acompanha as buscas, enquanto a Polícia Civil mantém parte das diligências sob sigilo para evitar prejuízo à coleta de informações.
Linha do tempo do desembargador desaparecido no Rio
A cronologia é o ponto mais importante para entender o que aconteceu com Alcides Martins Ribeiro Filho.
Segundo informações já confirmadas, o magistrado foi visto pela última vez em 14 de abril. Na mesma data, ele realizou um saque bancário antes de entrar em um táxi com destino à Vista Chinesa, área localizada no Parque Nacional da Tijuca.
Depois desse trajeto, familiares perderam contato com o desembargador. Em seguida, comunicaram o caso à Polícia Civil, e a DDPA assumiu a apuração sobre o paradeiro do magistrado.
Até agora, os pontos conhecidos da linha do tempo são:
- último registro público em abril;
- saque bancário antes do sumiço;
- corrida de táxi com destino à Vista Chinesa;
- perda de contato após o deslocamento;
- investigação aberta pela Polícia Civil do Rio.
Essa sequência ajuda a separar fatos confirmados de hipóteses não validadas. Além disso, impede que o caso seja reduzido ao histórico pessoal do magistrado, sem foco no paradeiro ainda desconhecido.
O que torna a investigação mais complexa
A DDPA conduz as diligências sobre o desembargador do TRF-2 desaparecido com foco na reconstrução do trajeto, na checagem de registros e na busca por testemunhas.
Além disso, a Vista Chinesa impõe dificuldade adicional. A área tem trechos de mata, vias com menor fluxo de pessoas e pontos em que a cobertura por câmeras pode ser limitada.
A atuação da DDPA também explica por que a Polícia Civil não divulga parte das informações imediatamente. Entre elas estão imagens de monitoramento, registros telefônicos, dados bancários, identificação do taxista e depoimentos de pessoas que possam ter visto o magistrado.
Até o momento, não há confirmação oficial de crime, acidente, fuga voluntária ou qualquer outra hipótese. Esse cuidado é essencial para evitar distorções e proteger a investigação.
A atuação da DDPA também explica por que parte das informações não é divulgada imediatamente. Em casos de desaparecimento, a publicidade de certos dados pode interferir na coleta de provas, no contato com testemunhas e na preservação de pistas.
Quem é Alcides Martins Ribeiro Filho e por que o caso repercute
Alcides Martins Ribeiro Filho é desembargador federal do TRF-2, corte responsável por processos da Justiça Federal no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.
Por ocupar cargo de alta relevância no Judiciário, seu desaparecimento produz impacto que vai além da esfera familiar. A ausência prolongada de um magistrado federal exige resposta institucional, acompanhamento administrativo e comunicação cautelosa.
O nome de Alcides Martins Ribeiro Filho já havia aparecido no noticiário em razão de afastamento cautelar determinado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após denúncia relacionada à violência doméstica.
Esse dado deve entrar apenas como contexto institucional. Não há confirmação oficial de relação entre o procedimento no CNJ e o desaparecimento investigado pela Polícia Civil.
A separação entre esses dois pontos é decisiva para a cobertura. O caso atual deve ser tratado como investigação de paradeiro, sem transformar o histórico disciplinar em explicação para o sumiço.
Quais perguntas seguem sem resposta
A investigação sobre o desembargador desaparecido ainda depende de respostas que podem alterar a leitura do caso.
As principais dúvidas são:
- quem era o taxista da corrida;
- se há imagens do trajeto até a Vista Chinesa;
- qual foi o último sinal do celular;
- se houve uso de cartão ou saque após o sumiço;
- se testemunhas viram o magistrado no local;
- qual foi o intervalo exato entre a perda de contato e o registro formal.
Essas respostas são relevantes porque podem confirmar se Alcides Martins Ribeiro Filho chegou ao destino, se permaneceu na região ou se houve novo deslocamento depois da corrida.
Além disso, a investigação ainda precisa esclarecer se houve algum contato anterior que ajude a explicar a ida à Vista Chinesa.
O caso permanece sob responsabilidade da DDPA.