O escândalo no BRB, que envolve bilhões de reais, suspeitas de corrupção e decisões financeiras sob investigação, ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (16/4). O ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, foi preso pela Polícia Federal e passou a ocupar o centro de um dos casos mais sensíveis do sistema financeiro público recente.
Segundo a investigação, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, teria participado de um esquema de vantagens indevidas ligado às negociações com o Banco Master. De acordo com apuração preliminar, o suposto pagamento de propina ocorreu por meio da transferência de seis imóveis avaliados entre R$ 140 milhões e R$ 146 milhões. Esses imóveis ficam em São Paulo e Brasília.
O BRB é um banco público controlado pelo governo do Distrito Federal, o que eleva o impacto do caso. Isso porque decisões financeiras da instituição podem afetar diretamente recursos públicos. Já o Banco Master, envolvido nas negociações, é uma instituição privada sob investigação.
Por que Paulo Henrique Costa foi preso
A Polícia Federal investiga se o ex-presidente do Banco de Brasília recebeu vantagens indevidas durante negociações com o Banco Master. Entre os principais pontos estão a suspeita de pagamento de propina por meio de imóveis milionários e o uso de estruturas financeiras para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Além disso, a operação apura possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Quem é Paulo Henrique Costa?
Antes da prisão, Costa liderava uma estratégia de expansão agressiva do banco público. Ele é formado em administração de empresas e possui mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro. Em 2019, assumiu o comando do BRB por indicação do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
Desde então, sua missão era ampliar a presença do banco no mercado nacional. Para isso, adotou uma estratégia mais ousada de crescimento.
A principal aposta da gestão foi a aproximação com o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A negociação incluía tanto a tentativa de aquisição da instituição quanto a compra de carteiras de crédito. Naquele momento, o banco apresentou essas operações como técnicas e alinhadas à competitividade.
No entanto, com o avanço das investigações, o cenário mudou. A Polícia Federal passou a apurar se essas decisões podem ter servido para viabilizar um esquema de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Além disso, investigadores apontam que imóveis de alto valor teriam sido usados para ocultar a origem dos recursos.
É nesse ponto que o caso deixa de ser apenas uma investigação e passa a atingir diretamente a governança de um banco público.
O impacto do caso no BRB
O impacto dessas operações já aparece nos números do banco. O atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, indicou a necessidade de provisionamento de cerca de R$ 8,8 bilhões. Esse valor revela o risco associado aos ativos adquiridos do Banco Master. Esse montante coloca a operação entre os maiores impactos financeiros já associados ao banco.
Na prática, isso significa que a instituição precisa separar recursos para cobrir possíveis perdas, o que pode afetar sua capacidade financeira.
Com isso, a percepção sobre a gestão de Costa mudou. O que antes parecia uma estratégia de expansão passou a ser visto como possível exposição a ativos problemáticos. Como resultado, o impacto recai diretamente sobre uma instituição pública.
O que Paulo Henrique Costa disse à PF
Em novembro de 2025, a Justiça afastou Costa do cargo após a primeira fase da Operação Compliance Zero. Em depoimento à Polícia Federal, ele negou irregularidades. Além disso, afirmou que as operações com o Banco Master seguiram critérios técnicos.
Durante a oitiva, Costa declarou que o BRB não tinha compromisso com a sobrevivência do banco privado. Também afirmou que a negociação não poderia ser interpretada como tentativa de salvamento. Em seguida, destacou que a proposta final excluía R$ 51 bilhões em ativos e passivos.
Apesar da defesa, a investigação avançou. Na nova fase da operação, a Polícia Federal prendeu também o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador financeiro ligado ao Banco Master. Segundo os investigadores, ele administrava fundos usados para dificultar a rastreabilidade de recursos de origem ilícita.
O caso segue sob sigilo no Supremo Tribunal Federal e tem relatoria do ministro André Mendonça. A investigação apura crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
O que está em jogo agora?
Agora, o nome de Paulo Henrique Costa deixa de estar ligado apenas à expansão do BRB. Ele passa a representar um dos episódios mais críticos envolvendo governança e uso de recursos em banco público.
Além disso, o desfecho do caso pode impactar sua trajetória e a credibilidade da instituição. Ao mesmo tempo, pode influenciar a forma como operações desse porte serão conduzidas no país. Por isso, o caso ultrapassa a esfera individual e passa a levantar dúvidas sobre a gestão e o controle de risco em instituições públicas.conduzidas no país.