Datafolha: piora na avaliação de Raquel Lyra pressiona eleição em Pernambucano

Pesquisa Datafolha em Pernambuco aponta piora na avaliação do governo Raquel Lyra, com aumento da rejeição e impacto direto na disputa eleitoral de 2026 contra João Campos.
Raquel Lyra durante evento oficial em Pernambuco após pesquisa Datafolha apontar piora na avaliação do governo - Foto: Antonio Cruz/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Pesquisa Datafolha mostra aumento da avaliação negativa do governo Raquel Lyra em Pernambuco - Foto: Antonio Cruz/Marcelo Camargo/Agência Brasil

A pesquisa Datafolha Pernambuco divulgada em (16/04) revela uma mudança relevante no cenário político do estado: a avaliação negativa da governadora Raquel Lyra (PSD) cresceu de forma expressiva e passou a influenciar diretamente a disputa eleitoral de 2026. O índice de ruim ou péssima saltou de 23% para 38%, enquanto a aprovação chegou a 40%.

O dado altera a leitura da corrida pelo governo estadual. Mesmo sendo a principal adversária de João Campos (PSB), que lidera as intenções de voto, Raquel Lyra passa a enfrentar um cenário mais pressionado, no qual sua capacidade de recuperação política se torna decisiva para o resultado da eleição.

Desgaste do governo cresce e muda o cenário eleitoral

A pesquisa Datafolha Pernambuco indica uma inflexão importante na percepção do eleitorado sobre a gestão estadual. Embora a avaliação positiva tenha subido levemente, o crescimento mais consistente ocorreu no campo negativo.

O índice de avaliação ruim ou péssima avançou 15 pontos percentuais, enquanto o percentual de eleitores que consideravam o governo “regular” caiu de 36% para 20%. Esse movimento sugere uma migração direta de eleitores indecisos ou neutros para uma posição mais crítica.

Em disputas eleitorais, esse deslocamento é determinante. O eleitor classificado como “regular” costuma ser o mais sensível a mudanças de percepção e, portanto, decisivo para a definição do resultado.

Comparação: evolução da avaliação de Raquel Lyra

IndicadorOutubroAtual
Ótimo/Bom38%40%
Ruim/Péssimo23%38%
Regular36%20%

A comparação evidencia que o avanço da avaliação negativa não foi compensado pelo crescimento da aprovação, indicando aumento da polarização em torno da gestão estadual.

Impacto direto na disputa com João Campos

No cenário eleitoral, João Campos aparece com 50% das intenções de voto, contra 38% de Raquel Lyra. Em um eventual segundo turno, a vantagem se mantém (52% a 42%).

Esse cenário indica que a liderança de Campos não se sustenta apenas em capital político próprio, mas também na deterioração da imagem da atual gestão. Além disso, a rejeição de Raquel Lyra (29%) supera a de João Campos (25%), o que tende a limitar o crescimento da governadora ao longo da campanha.

O que explica a piora de Raquel Lyra na pesquisa

A mudança na avaliação do governo pode ser compreendida a partir de três fatores centrais:

  • migração do eleitor “regular” para avaliação negativa
  • aumento consistente da rejeição
  • intensificação da polarização política no estado

Esse conjunto reduz o espaço de crescimento orgânico da governadora e amplia o peso da avaliação de gestão como variável central da disputa eleitoral.

Polarização aumenta risco eleitoral

A redução do eleitorado “regular” e o avanço das avaliações negativas indicam um cenário de polarização consolidada. Esse tipo de ambiente tende a antecipar a definição do voto e dificultar reviravoltas tardias.

Nesse contexto, o discurso de continuidade da gestão passa a enfrentar maior resistência, especialmente entre eleitores que já consolidaram percepção negativa sobre o governo.

Contradição nos dados mantém disputa aberta

Apesar da piora na avaliação, o cenário espontâneo apresenta um dado relevante: Raquel Lyra aparece numericamente à frente de João Campos (28% contra 26%).

Esse indicador sugere maior presença na memória do eleitorado, fator frequentemente associado ao exercício do cargo. Em eleições estaduais, esse elemento pode ter impacto nas fases iniciais da disputa.

A diferença entre os cenários estimulado e espontâneo indica que, embora pressionada, a governadora ainda possui base política ativa e capacidade de reação.

O que essa piora pode significar na prática?

A mudança na percepção do governo tende a gerar efeitos concretos no ambiente político e administrativo do estado:

  • aumento da pressão por entregas econômicas e sociais
  • maior dificuldade de articulação política
  • impacto na formação de alianças
  • risco de perda de apoio em regiões estratégicas

Esses fatores ampliam o peso da gestão no resultado eleitoral, tornando a disputa menos dependente de campanha e mais vinculada ao desempenho do governo.

Senado e reflexos no cenário político

A pesquisa também aponta que Marília Arraes lidera todos os cenários para o Senado (entre 40% e 42%), seguida por Humberto Costa (entre 31% e 32%).

Esse quadro indica um ambiente político fragmentado, no qual o desempenho do governo estadual pode influenciar diretamente a construção de alianças e a formação de palanques eleitorais.

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O dado mais importante da pesquisa não é a liderança

A pesquisa Datafolha Pernambuco traz um elemento central que vai além do placar eleitoral.

A piora na avaliação de Raquel Lyra desloca o eixo da disputa: a eleição deixa de ser apenas uma comparação entre candidatos e passa a ser, principalmente, um julgamento da gestão atual.

Sem reversão da curva negativa, a tendência é de consolidação da vantagem de João Campos. Por outro lado, o desempenho no voto espontâneo indica que o cenário ainda permanece aberto.

O ponto-chave é claro: a eleição em Pernambuco passa a depender diretamente da capacidade do governo de recuperar sua imagem diante do eleitorado.

Foto de Jussier Lucas

Jussier Lucas

Jussier Lucas é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e repórter do J1 News Brasil. Atua na cobertura de política, atualidades e temas de interesse público, com experiência em reportagem, comunicação pública e assessoria de imprensa na TV Universitária (TVU) e no TRE-RN.

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