STF forma maioria e barra lei de SC que proibia cotas raciais em universidades

O STF decidiu barrar uma lei de Santa Catarina que proibia cotas raciais em universidades. A Corte reforçou que ações afirmativas são constitucionais e não podem ser restringidas por estados.
Ministro do STF durante julgamento sobre cotas raciais em universidades
STF forma maioria para derrubar lei que proibia cotas raciais em Santa Catarina. (Foto: Victor Piemonte/STF)

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quinta-feira (16/04) para derrubar a lei de Santa Catarina que proibia cotas raciais em universidades, em uma decisão que trava a tentativa de um estado de limitar políticas de inclusão no ensino superior.

Com a decisão, o Supremo impede que governos estaduais eliminem ações afirmativas e reforça o entendimento de que essas políticas são constitucionais e fazem parte do enfrentamento à desigualdade no Brasil.

Hoje, políticas de cotas raciais estão presentes em universidades públicas de todo o país e foram responsáveis por ampliar significativamente o acesso de estudantes de baixa renda e grupos historicamente excluídos ao ensino superior.

Mais do que invalidar uma lei específica, o julgamento deixa claro o limite de atuação dos estados nesse tema. Para a Corte, não cabe a governos locais restringir medidas já reconhecidas como necessárias para corrigir distorções históricas no acesso à universidade.

O que muda com a decisão do STF sobre cotas raciais

O placar chegou a 7 a 0 no plenário virtual, com votos de ministros como Gilmar Mendes, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. Mesmo com três votos ainda pendentes, a maioria já garante a derrubada da norma.

A lei, sancionada em janeiro em SC, proibia cotas raciais em universidades e instituições com recursos públicos, mas mantinha vagas para PCDs, baixa renda e alunos de escolas públicas, contradição que pesou no STF.

Por que o STF considerou a lei inconstitucional

O STF já considerou constitucionais as cotas raciais, hoje um dos principais instrumentos de acesso ao ensino superior no Brasil.

Para os ministros, a tentativa de barrar essas políticas parte de uma interpretação equivocada do princípio da igualdade. Na avaliação da Corte, tratar todos de forma idêntica em um cenário de desigualdade histórica não corrige distorções, pelo contrário, pode aprofundá-las.

Com a maioria formada, o STF deve confirmar a decisão e consolidar que estados não podem restringir cotas raciais no ensino superior.

Na prática, a decisão do STF deve orientar casos semelhantes e limitar tentativas de estados de mudar regras de inclusão. O entendimento também pode influenciar futuras discussões sobre políticas de inclusão em outras áreas, como concursos públicos e programas sociais.

A decisão reforça que igualdade exige ações contra desigualdades históricas, tema que seguirá no debate após o STF sobre cotas raciais. Para estudantes e instituições, isso significa que políticas de cotas raciais continuam garantidas e não podem ser alteradas por decisões isoladas de governos estaduais.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

Veja também

Mais lidas