O caso Banco Master ganhou dimensão nacional após a liquidação da instituição pelo Banco Central (BC) em 2025, encerrando uma trajetória em que os ativos saltaram de R$ 3,7 bilhões para R$ 82 bilhões entre 2019 e 2024. O crescimento de 2.122% ocorreu sob gestão do banqueiro Daniel Vorcaro.
Na prática, entender o que aconteceu com o Banco Master exige olhar para o modelo que sustentou essa expansão. O banco cresceu com forte dependência de captação via CDBs e depósitos, o que elevou o risco estrutural e ajuda a explicar por que a instituição entrou em colapso após investigações da Polícia Federal (PF).
O que aconteceu com o Banco Master e como o crescimento foi sustentado
O crescimento do Banco Master foi impulsionado principalmente pela entrada massiva de recursos de clientes. Em 2019, os depósitos somavam R$ 2,6 bilhões. Em 2024, atingiram R$ 59,9 bilhões, representando 77,5% de todo o passivo.
Esse nível de dependência é considerado elevado no sistema financeiro. Para comparação, o Itaú mantinha cerca de 43% do passivo ligado a depósitos, enquanto o Banco de Brasília (BRB) operava com 68,7%.
Na prática, isso indica que o banco dependia da entrada contínua de novos investidores, muitas vezes atraídos por taxas acima da média de mercado.
Crescimento do Banco Master concentrou risco em CDBs e ativos financeiros
Outro vetor do crescimento do Banco Master foi a forte alocação em títulos e valores mobiliários. O volume saltou de R$ 792 milhões em 2019 para R$ 32,1 bilhões em 2024, um avanço de 3.950%.
Com isso, esses ativos passaram a representar 39% do total, ante 21,5% no início do período.
As operações de crédito também cresceram de forma acelerada, saindo de R$ 768,4 milhões para R$ 16,8 bilhões. Esse movimento ampliou receitas, mas aumentou a exposição a riscos, especialmente em um cenário de expansão acelerada.
Receita elevada levantou dúvidas sobre sustentabilidade do modelo
A receita do conglomerado acompanhou a expansão. O banco saiu de R$ 324 milhões em 2019 para R$ 5,3 bilhões em 2024.
Grande parte desse avanço veio das operações de crédito, que atingiram R$ 4,6 bilhões. Já os ganhos com títulos chegaram a R$ 1,7 bilhão.
Mesmo com uma carteira menor que grandes bancos, o Master aparecia entre os maiores em geração de receita, o que levanta questionamentos sobre a qualidade dos ativos e a consistência desse desempenho.
Crescimento do Banco Master aumentou a dependência de capital de terceiros
O crescimento do Banco Master ocorreu acompanhado de forte expansão do passivo. As obrigações saltaram de R$ 3,5 bilhões para R$ 77,3 bilhões entre 2019 e 2024. Isso indica que a expansão foi financiada majoritariamente por recursos de clientes, e não por capital próprio.
Na prática, esse tipo de estrutura aumenta a vulnerabilidade em cenários de perda de confiança ou retirada de recursos.
Investigação e liquidação expuseram fragilidade do modelo
Em 2025, o modelo entrou em colapso. A Polícia Federal apontou suspeitas de emissão de CDBs com juros elevados para atrair investidores e criação de carteiras de crédito fictícias.
O Banco Central determinou a liquidação da instituição em novembro do mesmo ano. As operações foram encerradas e um liquidante foi nomeado.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ressarciu a maioria dos clientes, respeitando o limite legal de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Impacto prático: como identificar risco em CDBs
O caso Banco Master mostra que retornos acima da média podem indicar maior risco.
Na prática, investidores devem observar:
• taxas muito acima do mercado
• crescimento acelerado da instituição
• alta dependência de depósitos
• baixa transparência sobre ativos
Além disso, é importante considerar o limite do FGC. Valores acima de R$ 250 mil por instituição não têm garantia integral, o que aumenta a exposição em caso de quebra.
Banco Master: o que aconteceu e o alerta para o sistema financeiro
O crescimento do Banco Master levou o conglomerado da 90ª para a 23ª posição no ranking de ativos em cinco anos, superando instituições tradicionais em alguns indicadores.
Ainda assim, a trajetória terminou em liquidação, prisão de executivos e bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens, determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O que aconteceu com o Banco Master reforça um ponto central: crescimento acelerado no sistema financeiro, quando sustentado por captação intensiva e estruturas frágeis, pode gerar ganhos no curto prazo, mas amplia riscos para investidores e para o próprio sistema no médio e longo prazo.