Caso “Dona Maria” leva IA ao TSE e expõe falha que pode mudar eleições digitais

O caso do perfil de IA “Dona Maria” levou a inteligência artificial nas eleições ao TSE e pode redefinir regras, monetização e conteúdo político nas redes no Brasil.
Perfil de IA Dona Maria usado em conteúdo político nas redes e analisado pelo TSE nas eleições no Brasil
Personagem gerada por IA usada em conteúdo político levou o debate ao TSE e pode mudar regras nas eleições. Foto: (Imagem: Reprodução/Instagram

O avanço da inteligência artificial nas eleições brasileiras chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o caso do perfil de IA “Dona Maria”, acionado pela Federação Brasil da Esperança. A ação pede suspensão imediata da conta, bloqueio de novos conteúdos e identificação dos responsáveis, sob acusação de uso político de IA com desinformação.

O episódio coloca a IA nas eleições no centro de um vazio regulatório e pode mudar diretamente o que milhões de brasileiros veem nas redes sociais.

Caso “Dona Maria” expõe vulnerabilidade do sistema

Os perfis utilizam uma personagem gerada por inteligência artificial que simula uma mulher idosa e negra, com linguagem simples e forte apelo emocional. O formato amplia conexão e engajamento e exemplifica o avanço do conteúdo político automatizado.

Segundo a federação, o conteúdo:

• ataca o presidente Lula e figuras da esquerda
• divulga informações consideradas falsas ou distorcidas
• mistura opinião política com dados imprecisos
• pode induzir o público a acreditar que se trata de uma pessoa real

Entre os exemplos citados está a alegação de “tributação para catadores de latinha”, apontada como falsa. Também há conteúdos com dados incorretos sobre o PIX e frases atribuídas de forma distorcida ao presidente.

Perfil de IA no TSE coloca a Justiça diante de um novo problema

O caso revela um ponto crítico: a legislação atual não acompanha o avanço da tecnologia.

Hoje, a Justiça Eleitoral trata separadamente:

• propaganda política
• anonimato
• desinformação

A inteligência artificial nas eleições combina esses elementos em escala e velocidade inéditas.

Perfis como o “Dona Maria” conseguem:

• produzir conteúdo em volume
• simular linguagem humana com alto realismo
• adaptar narrativa para engajamento
• viralizar rapidamente

A consequência é direta: a disseminação supera a capacidade de resposta institucional.

Dinheiro, alcance e influência: a engrenagem por trás do conteúdo

O caso ganha peso com o fator econômico.

Segundo a representação e declarações do criador Daniel Cristiano:

• o perfil recebe propostas comerciais, inclusive de apostas
• divulga produtos e serviços
• oferece cursos sobre inteligência artificial e automação
• gera cerca de R$ 1.500 por mês

Mesmo com receita limitada, o alcance é elevado. Um vídeo atingiu 22 milhões de visualizações antes de ser removido.

Esse modelo combina:

• baixo custo de produção
• alto potencial de viralização
• monetização integrada

Na prática, a IA nas eleições no Brasil transforma conteúdo político em ativo digital escalável.

Decisão do TSE pode redefinir uso de IA nas redes

Se o TSE avançar sobre o perfil de IA no TSE, o impacto tende a ser imediato.

As plataformas podem ser pressionadas a:

• remover conteúdos semelhantes de forma preventiva
• exigir identificação clara de uso de IA
• limitar monetização de conteúdo político
• ampliar rastreamento de perfis anônimos

Isso altera o ambiente digital antes do ciclo eleitoral.

Por outro lado, uma decisão sem restrição pode acelerar a expansão desse modelo, com versões mais sofisticadas.

Risco de erro e limite da regulação

A discussão envolve equilíbrio.

Há necessidade de conter:

• desinformação
• manipulação política
• uso indevido de tecnologia

Mas existem fragilidades:

• dificuldade de diferenciar sátira, opinião e propaganda
• risco de restrição indevida à liberdade de expressão
• uso estratégico de denúncias para pressionar adversários

Além disso, a identificação dos responsáveis pode ser limitada em estruturas digitais descentralizadas.

O que muda na prática para o leitor?

O desfecho pode alterar diretamente a experiência nas redes.

Possíveis efeitos:

• redução de perfis políticos anônimos
• maior transparência sobre uso de IA
• mudanças no tipo de conteúdo exibido
• menor circulação de vídeos com aparência humana simulada

Para criadores, o risco envolve perda de monetização ou remoção de contas.

O que o caso Dona Maria IA pode mudar nas eleições

O avanço do perfil de IA no TSE expõe uma lacuna nas regras eleitorais em um momento em que conteúdos gerados por inteligência artificial já influenciam o debate político nas redes. A decisão sobre o caso tende a ir além da remoção de um perfil específico e pode estabelecer critérios sobre uso de IA, transparência das publicações e limites para conteúdos com viés eleitoral.

Na prática, isso afeta o que o usuário vê no feed e como esses conteúdos circulam. Dependendo do entendimento do TSE, pode haver mais restrições, identificação obrigatória de conteúdo gerado por IA e controle sobre monetização, ou abertura para expansão desse modelo com maior alcance e sofisticação.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na cobertura de política e geopolítica no J1 News Brasil, com produção de conteúdos analíticos voltados ao cenário institucional, relações internacionais e dinâmicas de poder. Também colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), reforçando o compromisso com apuração rigorosa e checagem de fatos.

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