A Nova Indústria Brasil no Ceará avançou na última quinta-feira (14/05), com o lançamento do Programa NE 4.0, conduzido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e o Instituto Federal do Ceará (IFCE).
A política industrial do governo federal tem a Nova Indústria Brasil como eixo para orientar investimentos, inovação e produtividade até 2033. No Ceará, o NE 4.0 funciona como desdobramento regional dessa agenda, com foco em diagnóstico tecnológico, qualificação e apoio técnico às empresas.
O programa tem previsão de atender sete indústrias no Ceará e até 50 no Nordeste, segundo O Povo. A iniciativa inclui diagnóstico gratuito de maturidade digital, workshops, visitas técnicas e suporte para estruturação de projetos.
O lançamento insere o Ceará em uma disputa regional por tecnologia, crédito, mão de obra e projetos de inovação. O efeito prático ainda depende da execução, porque o alcance inicial é limitado diante da base industrial nordestina.
Nova Indústria Brasil no Ceará reúne Sudene, FIEC e IFCE
O núcleo cearense faz parte do Programa NE 4.0 no Ceará, iniciativa da Sudene voltada à adoção de tecnologias digitais na indústria regional. A proposta aproxima empresas, setor público e instituições de ensino para enfrentar gargalos de produtividade e modernização.
No Ceará, a FIEC será a ponte com o setor produtivo. O IFCE entra na formação de profissionais, pesquisa aplicada e residências tecnológicas, áreas ligadas à capacidade de levar soluções digitais para a operação das fábricas.
O industrial Ricardo Cavalcante, presidente do Sistema FIEC, presidente em exercício da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e membro titular nacional da CNI no Conselho Deliberativo da Sudene (Condel/Sudene), vinculou a competitividade industrial ao uso de tecnologia nas cadeias produtivas.
“Hoje, a produtividade está diretamente ligada à capacidade de integrar dados, automação, inteligência artificial, conectividade e análise estratégica de informações”, afirmou Cavalcante. Segundo ele, empresas que incorporam essas ferramentas ganham eficiência, reduzem desperdícios, ampliam mercados, atraem investimentos e geram empregos mais qualificados.
Diagnóstico digital aponta gargalos das fábricas
O programa começa pela avaliação da maturidade digital das empresas. Esse diagnóstico indica o nível de automação, uso de dados, conectividade, organização dos processos e capacidade técnica para aplicar soluções digitais no ambiente industrial.
Entre as ações previstas estão:
- diagnóstico gratuito de maturidade digital;
- workshops e visitas técnicas;
- suporte para estruturação de projetos;
- conexão entre empresas, IFCE, FIEC e centros de pesquisa;
- residências tecnológicas em Indústria 4.0.
A lógica é atuar antes do investimento pesado. Primeiro, o programa identifica gargalos técnicos. Depois, orienta projetos capazes de buscar recursos e aplicar soluções em áreas como automação, dados, inteligência artificial e melhoria de processos produtivos.
Cavalcante apontou esse recorte ao tratar das pequenas e médias indústrias. “Muitas vezes sabem da necessidade de inovar, mas encontram dificuldades para acessar conhecimento técnico, estruturar projetos ou identificar caminhos de financiamento”, disse o presidente da FIEC.
Esse ponto pesa porque a indústria 4.0 no Ceará não depende apenas da compra de equipamentos. Sem especialistas, projetos formatados e acesso a crédito, a digitalização tende a ficar restrita a empresas com maior estrutura financeira.
Para a Sudene, o desafio tecnológico também tem relação com a posição do Nordeste em relação ao restante do país. O superintendente Francisco Alexandre citou transformação digital, internet das coisas e robótica como áreas que afetam a capacidade de disputar mercado.
“Para concorrer e disputar mercado, é preciso que você esteja em pé de igualdade”, afirmou Alexandre. Segundo ele, a tarefa da Sudene é construir parcerias com indústrias, universidades e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação.
Escala inicial limita avanço entre estados
A entrada do Ceará ocorre em uma rede que já passou por outros estados, como Alagoas, dentro da expansão do NE 4.0 no Nordeste. O modelo repete a combinação entre Sudene, federação industrial e instituição de ensino local.
Essa expansão cria uma disputa por projetos, profissionais qualificados, laboratórios, crédito e capacidade de atrair cadeias produtivas mais intensivas em tecnologia. O Ceará passa a ocupar uma posição formal nessa agenda, mas ainda precisa demonstrar escala.
O limite está no tamanho da primeira etapa. Sete indústrias podem gerar casos-piloto, mas não alteram sozinhas o padrão produtivo estadual. O valor público do programa dependerá da ampliação do atendimento e da adoção real de tecnologia nas empresas.
A formação de capital humano fecha o eixo operacional do programa. Sem profissionais preparados para lidar com dados, automação e sistemas digitais, a adoção tecnológica tende a ficar limitada às empresas com maior capacidade interna.
O Ceará entra na disputa regional com uma estrutura que combina Sudene, setor produtivo e ensino técnico. O resultado será medido menos pelo lançamento e mais pela capacidade de converter diagnóstico em produtividade, projetos financiáveis e profissionais preparados para operar novas tecnologias.