Rússia e Alemanha entram em tensão após denúncia de planos de assassinato sem detalhes públicos

Inteligência alemã acusa Moscou de planejar assassinatos em seu território, mas não revela detalhes. Caso de Leipzig expõe limites das informações públicas.
Robô sobre esteiras em área aeroportuária à noite, com instalações iluminadas ao fundo.
Equipamento robótico em operação noturna em área aeroportuária. A imagem ilustra a reportagem sobre as tensões entre Rússia e Alemanha e as acusações de ataques híbridos.(Imagem: Divulgação).

A crise entre Rússia e Alemanha ganhou uma nova dimensão nesta segunda-feira (12), depois que o chefe da inteligência interna alemã, Sinan Selen, acusou Moscou de planejar assassinatos em território alemão. Apesar da gravidade da denúncia, as autoridades não divulgaram detalhes dos supostos planos, o que impede uma verificação pública independente das acusações.

Durante uma conferência em Berlim, Selen afirmou que a Rússia emprega diferentes recursos em operações híbridas, incluindo sabotagem, desinformação e manipulação de informações. O chefe do Departamento Federal de Proteção da Constituição (BfV) também advertiu que novas ações semelhantes às registradas no aeroporto de Leipzig/Halle podem ocorrer. A avaliação representa um alerta da inteligência, não a confirmação de ataques futuros.

Em atividades de inteligência, informações podem permanecer sob sigilo para proteger fontes, métodos de vigilância e investigações em andamento. Essa possibilidade, entretanto, não confirma a existência de provas sigilosas em um caso específico. A falta de divulgação também limita a verificação independente: no caso dos supostos assassinatos, não foram apresentados publicamente os alvos, os possíveis executores ou o estágio de eventuais apurações.

Investigação de ataque com drones identificou possíveis suspeitos

O contraste com investigações anteriores ajuda a compreender o alcance das informações disponíveis. Em 4 de agosto de 2026, autoridades alemãs encontraram um drone com explosivos nas proximidades de uma aeronave ucraniana no aeroporto de Leipzig/Halle, conforme informações atribuídas a uma investigação jornalística divulgada posteriormente.

Diferentemente dos supostos planos de assassinato, o episódio de Leipzig teve relatos de evidências materiais e identificação de suspeitos. Reportagem conjunta das emissoras NDR e WDR e do jornal Süddeutsche Zeitung, publicada em 2 de setembro, informou que investigadores encontraram vestígios de DNA em equipamentos apreendidos e identificaram pessoas com possíveis ligações à Rússia.

As apurações também teriam localizado componentes eletrônicos possivelmente utilizados no controle dos drones. Segundo a investigação jornalística, parte dos vestígios apresentou correspondência em bancos de dados europeus, contribuindo para a identificação de suspeitos. Essas informações não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal.

Alemanha atribuiu responsabilidade à Rússia antes de decisão judicial

Em 1º de setembro, o governo alemão responsabilizou Moscou pela tentativa de ataque em Leipzig. O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, afirmou que informações reunidas pelos órgãos de segurança e parceiros europeus indicavam envolvimento russo.

A atribuição oficial de responsabilidade não equivale a uma condenação judicial. Em reportagem publicada em 12 de setembro, a Euronews informou que as autoridades continuavam investigando o episódio e examinavam possíveis vínculos de suspeitos com a inteligência militar russa.

O Kremlin rejeitou a responsabilidade pelo incidente. Até a atualização do relato original desta segunda-feira, o governo russo não havia apresentado manifestação específica sobre as novas acusações de assassinato.

Ameaças ampliam preocupação com a segurança europeia

O ministro Alexander Dobrindt descreveu a situação como uma guerra nas sombras, afirmando que as ameaças não se limitam à Rússia. Na avaliação apresentada durante a conferência do BfV, essas operações teriam como objetivo provocar desestabilização política e social, em vez de uma derrota militar convencional.

A preocupação ultrapassa as fronteiras alemãs. Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radosław Sikorski, defendeu que a Otan se prepare para responder a possíveis ataques híbridos letais, diante dos riscos associados a operações clandestinas na Europa.

Para Rússia e Alemanha, permanece uma distinção fundamental: Leipzig já apresenta relatos de elementos materiais de investigação, enquanto os supostos planos de assassinato continuam sem detalhes públicos específicos. A identificação de eventuais responsáveis e a confirmação independente das novas acusações dependem de informações que ainda não foram disponibilizadas.

Foto de Eloiza Matarese

Eloiza Matarese

Eloiza Matarese é jornalista do J1 News Brasil, com atuação em Política e Poder. Produz conteúdos estratégicos e analíticos sobre governos, eleições, decisões públicas e articulações institucionais, com olhar investigativo voltado a identificar impactos, contradições e desdobramentos relevantes para o leitor.

Veja também

Mais lidas