Onda azul ameaça Trump: pesquisas mostram avanço democrata no Congresso

O resultado das eleições nos EUA pode reduzir o poder de Trump no Congresso. Pesquisas indicam avanço democrata na Câmara e no Senado.
Ilustração de Donald Trump diante do Capitólio dos EUA, com multidão azul simbolizando o possível resultado das eleições nos EUA 2026.
Donald Trump enfrenta a possibilidade de perder apoio no Congresso diante do avanço democrata apontado pelas pesquisas eleitorais. Imagem editorial/J1 News)

O resultado das eleições nos EUA em 2026 poderá mudar o equilíbrio de poder em Washington. Nas pesquisas divulgadas antes da votação desta terça-feira (3/11), os democratas aparecem à frente na disputa nacional pela Câmara e em estados estratégicos para o Senado, enquanto Donald Trump enfrenta forte desaprovação popular.

A possível onda azul ameaça reduzir a força política de um presidente acostumado a impor sua agenda. Trump não está nas urnas, mas uma derrota republicana poderá deixá-lo diante de um Congresso disposto a limitar seus projetos econômicos e investigar decisões de seu governo.

O que as pesquisas indicam sobre o resultado das eleições nos EUA

Na Câmara dos Representantes, a média de pesquisas do Silver Bulletin, atualizada em 2 de novembro, registrou vantagem democrata de 8,9 pontos percentuais na preferência nacional. O indicador não determina quantas cadeiras cada partido conquistará.

No Senado, a pesquisa New York Times/Siena apontou candidatos democratas à frente em sete estados, com vantagens entre um e 11 pontos percentuais, algumas dentro das margens de erro. Para conquistar o controle do Congresso, atualmente nas mãos dos republicanos, os democratas precisam obter os seguintes ganhos líquidos de cadeiras em cada Casa:

  • Câmara dos Representantes: quatro cadeiras.
  • Senado: quatro cadeiras.
  • Estados pesquisados pelo NYT/Siena: Michigan, Texas, Maine, Ohio, Kansas, Alasca e Iowa, todos com vantagem democrata no levantamento.

A diferença é importante: enquanto a Câmara apresenta vantagem democrata nas pesquisas nacionais, o controle do Senado depende de disputas estaduais mais apertadas. Portanto, o avanço nas intenções de voto não representa uma vitória assegurada.

As primeiras urnas das eleições nos EUA começam a fechar às 20h desta terça-feira (3/11), no horário de Brasília, com divulgação gradual dos resultados preliminares. As últimas fecham entre 2h e 3h de quarta-feira (4), mas a definição do controle do Congresso poderá levar mais tempo, especialmente nas disputas apertadas. As informações foram publicadas pelo Economic News Brasil, com base no cronograma da Associated Press.

Economia e guerra com o Irã pesam no cenário eleitoral

A pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada na segunda-feira (2/11), apresentou indicadores relevantes para avaliar o resultado das eleições para Trump. O levantamento mostra baixa aprovação presidencial e vantagem democrata na preferência dos eleitores prováveis para a Câmara dos Representantes.

  • Aprovação de Donald Trump: 32%.
  • Preferência por candidatos democratas: 52%.
  • Preferência por candidatos republicanos: 44%.
  • Vantagem democrata: 8 pontos percentuais.

O custo de vida, os tarifaços comerciais e a guerra com o Irã integram o cenário enfrentado pela Casa Branca. Pesquisa Gallup, publicada em 29 de outubro, identificou os temas considerados extremamente importantes para o voto:

  • Economia: 50% dos eleitores registrados.
  • Saúde: 50%.
  • Situação no Irã: 47%.

Trump, que prometeu evitar novas guerras e adotou tarifas como instrumento de política econômica, chega às eleições de meio de mandato nos EUA com suas decisões submetidas ao julgamento dos eleitores. Os levantamentos, entretanto, não permitem atribuir seu desgaste exclusivamente a essas medidas.

Uma maioria democrata na Câmara poderia dificultar projetos econômicos, ampliar investigações e exigir negociações mais duras sobre o orçamento federal. O controle também do Senado aumentaria a influência da oposição sobre a legislação e a confirmação de autoridades.

Para o Brasil, a mudança teria importância nas relações comerciais com Washington. Um Congresso dividido poderia aumentar a disputa sobre a política tarifária americana, embora o presidente mantenha atribuições próprias sobre comércio exterior.

Assim, o resultado das eleições para Trump não depende de uma candidatura pessoal, mas do tamanho de sua sustentação legislativa. Mesmo preservando seus poderes presidenciais, inclusive o veto, ele poderá enfrentar obstáculos maiores para executar sua agenda até janeiro de 2029.

Foto de Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues é jornalista e Coordenadora de Relacionamento e Operações do Sistema BNTI de Comunicação. Contribui editorialmente com o J1 News, o Economic News Brasil e o Boa Notícia Brasil. É pós-graduada em Marketing pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e em Recursos Humanos pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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