Trump perde ação de US$ 10 bilhões contra WSJ e fica sem indenização por caso Epstein

Justiça americana rejeita ação de US$ 10 bilhões de Trump contra o Wall Street Journal por reportagem sobre Epstein. Defesa pretende recorrer.
Trump perde ação contra WSJ: montagem ilustrativa com Donald Trump, imagem de Jeffrey Epstein ao fundo e martelo judicial em destaque.
Trump perde ação contra WSJ de US$ 10 bilhões por reportagem envolvendo Jeffrey Epstein.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu uma derrota judicial em 31 de outubro, quando a Justiça americana rejeitou sua ação de US$ 10 bilhões contra o The Wall Street Journal (WSJ). O processo questionava uma reportagem sobre uma suposta carta enviada ao financista Jeffrey Epstein, cuja autoria Trump nega.

A decisão do juiz federal Darrin Gayles marcou a derrota judicial de Trump e encerrou o processo na primeira instância, sem conceder a indenização solicitada. A defesa presidencial anunciou a intenção de recorrer, mas não poderá simplesmente reapresentar a mesma demanda ao magistrado.

O caso Epstein já havia provocado outros desdobramentos políticos nos Estados Unidos. Em janeiro, a divulgação de novos documentos relacionados ao financista ampliou a atenção sobre o conteúdo dos arquivos.

Por que Trump perdeu ação contra WSJ?

A disputa judicial começou após a publicação de uma reportagem sobre uma suposta mensagem enviada por Trump a Epstein em 2003. O presidente acusou o jornal de divulgar informações falsas e prejudicar sua reputação.

Entretanto, a legislação americana estabelece uma exigência específica para ações de difamação envolvendo figuras públicas: demonstrar que o veículo publicou uma informação sabendo que era falsa ou desprezando deliberadamente essa possibilidade.

A controvérsia também integra uma sequência de episódios envolvendo o governo americano, incluindo a demissão de Pam Bondi por Trump, abordada anteriormente pelo J1 News Brasil.

Esse requisito, conhecido como actual malice (má-fé real), foi determinante para a rejeição do processo. Gayles considerou insuficientes os argumentos apresentados pelos advogados do presidente para sustentar a responsabilização do WSJ.

Um dos elementos examinados foi a conduta do jornal antes da publicação. O WSJ procurou Trump, registrou sua negativa e manteve a reportagem, procedimento considerado relevante na avaliação judicial. O magistrado também rejeitou o argumento de que a contestação presidencial deveria ter impedido a divulgação.

O que muda após a derrota do presidente americano?

A decisão foi proferida with prejudice, expressão jurídica que impede a reapresentação da mesma ação na primeira instância. Em abril, o juiz havia permitido que a defesa corrigisse a petição, oportunidade que não alterou o resultado.

O entendimento está relacionado ao precedente da Suprema Corte americana em New York Times Co. v. Sullivan, de 1964, que estabeleceu requisitos rigorosos para autoridades públicas obterem indenizações por difamação.

A rejeição do processo não comprova a autenticidade da carta atribuída a Trump. O tribunal examinou a suficiência das alegações de difamação, não a autoria definitiva do documento.

Com a derrota de Trump contra o WSJ, a defesa pretende recorrer da decisão. A instância superior poderá revisar os fundamentos da rejeição do processo, mas a autenticidade da carta atribuída ao presidente permanece sem conclusão judicial.

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Adriana Rodrigues

Adriana Rodrigues é jornalista e Coordenadora de Relacionamento e Operações do Sistema BNTI de Comunicação. Contribui editorialmente com o J1 News, o Economic News Brasil e o Boa Notícia Brasil. É pós-graduada em Marketing pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e em Recursos Humanos pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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