A Justiça do Distrito Federal rejeitou o pedido para impedir Richarlison de comentar a disputa por uma ilha ligada a Flávio Bolsonaro, em Angra dos Reis (RJ). A decisão, divulgada nesta sexta-feira (30/10), favorece o jogador quanto à liberdade de manifestação. No entanto, não altera o resultado anterior da disputa judicial pelo imóvel.
O juiz Giordano Resende Costa, da 4ª Vara Cível de Brasília, negou a solicitação apresentada pelo advogado Willer Tomaz e pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens. Assim, a decisão determinou não remover publicações e não impedir novas declarações do atacante nas redes sociais.
O magistrado considerou que restringir manifestações futuras poderia configurar censura prévia, proibida pela Constituição. Também não identificou comprovação suficiente de que determinados conteúdos questionados permaneciam disponíveis para justificar sua retirada.
Ilha ligada a Flávio Bolsonaro já teve decisão no STJ
O conflito começou após Richarlison negociar, em 2020, os direitos de ocupação de uma área na Ilha Comprida. O terreno pertence à União. Além disso, sua regularização depende da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o que diferencia o caso da compra de uma propriedade particular.
O jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões, incluindo pagamentos relacionados à ocupação e melhorias no imóvel. Ele acusa Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz de terem participado de procedimentos que resultaram na transferência dos direitos sobre a área. Contudo, segundo ele, não houve ressarcimento do valor reivindicado.
Tomaz nega irregularidades e sustenta que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação. A disputa patrimonial teve decisões favoráveis à WT no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Esse entendimento foi mantido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em maio de 2025. Posteriormente, a empresa ligada ao jogador desistiu das reivindicações judiciais.
Qual é a participação de Flávio Bolsonaro no caso?
O senador é amigo de Willer Tomaz e esteve na propriedade em Angra dos Reis. Richarlison afirma que o parlamentar demonstrou interesse em adquirir o imóvel antes da controvérsia judicial. Flávio Bolsonaro nega envolvimento irregular e sustenta que não participou da negociação contestada pelo atleta.
O nome de Flávio Bolsonaro também ganhou destaque após ter fugido do Brasil, depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial de domingo (25/10). Na quarta-feira (28), já nos Estados Unidos, o senador divulgou uma carta em que se apresentava como presidente eleito, mas posteriormente alterou a declaração para “líder do Brasil”. A iniciativa levantou questionamentos sobre possíveis consequências jurídicas da contestação do resultado eleitoral.
Em reportagem publicada em 23 de outubro, o UOL revelou que o senador encaminhou a Richarlison trechos de um acordo privado envolvendo uma empresa de Tomaz e Renato Velasco, ex-empresário do atacante. O jogador afirmou não ter autorizado esse entendimento.
A controvérsia também foi levada ao Ministério Público Federal (MPF) por um grupo de juristas que pediu investigação sobre possíveis irregularidades administrativas relacionadas ao imóvel. A representação não equivale à comprovação das acusações.
Pedido de indenização contra Richarlison continua
Apesar da decisão favorável ao atacante, Willer Tomaz e sua empresa ainda cobram R$ 200 mil por danos morais. Além disso, exigem esclarecimentos públicos sobre as acusações divulgadas nas redes sociais.
O processo também envolve novos pedidos de remoção de conteúdo que ainda aguardavam análise judicial na data da reportagem. Richarlison deverá apresentar sua defesa após a citação formal.
Assim, a decisão sobre as publicações não reverte o resultado judicial anterior sobre os direitos de ocupação da Ilha Comprida. O que permanece em discussão na Justiça do Distrito Federal é a eventual responsabilização do jogador pelas declarações feitas sobre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.