O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (29/10) que pretende conversar com Lula sobre a eleição brasileira, mas não reconheceu expressamente sua reeleição. Ao comentar o segundo turno, classificou a votação como uma “desgraça” e manteve críticas ao processo eleitoral, sem apresentar provas de irregularidades.
A declaração prolonga a indefinição diplomática entre Washington e Brasília quatro dias após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL). Trump não informou quando ocorrerá o contato nem respondeu diretamente quem considera o vencedor legítimo da disputa.
Durante a conversa com jornalistas, o republicano também afirmou ter atendido a um pedido de neutralidade feito pelo presidente brasileiro.
“O atual presidente me pediu para não tomar partido. Eu não tomei partido”, declarou, antes de voltar a atacar a condução da votação.
Trump vai falar com Lula após questionar resultado da eleição
O anúncio de que Trump vai falar com Lula ocorre depois de o presidente americano sugerir, na segunda-feira (26/10), que a eleição brasileira poderia ter sido fraudada. Na ocasião, questionou a prorrogação do horário de votação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas não apresentou evidências de manipulação dos votos.
A reeleição foi anunciada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no domingo (25/10). Lula recebeu 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 48,21%. A diferença foi superior a 4,4 milhões de votos, segundo os dados oficiais.
O pedido de neutralidade mencionado por Trump já havia sido relatado publicamente por Lula. Em setembro, o brasileiro afirmou que recomendou ao presidente americano não interferir na disputa, para preservar as relações entre os países.
Reconhecimento da eleição segue sem resposta de Washington
A ausência de uma manifestação expressa de Trump contrasta com o reconhecimento do resultado por líderes de países como França, Alemanha, China, Espanha e Portugal. Apesar disso, a falta de uma declaração de reconhecimento não invalida o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira.
O impasse também representa um teste para a relação diplomática entre os dois governos. Brasil e Estados Unidos mantêm negociações comerciais e interesses estratégicos que independem da disputa presidencial.
A próxima conversa entre Lula e Trump poderá esclarecer se Washington pretende reconhecer expressamente a reeleição ou manter as críticas ao processo eleitoral. Até agora, o presidente americano não anunciou qualquer medida oficial contra o resultado brasileiro.